A falsa segurança de ser "bonzinho"

 

Desde cedo, o ser humano aprende a medir valor por comportamento. Fazer o bem, evitar erros graves e manter uma conduta aceitável tornam-se critérios para julgar a si mesmo e aos outros. Com o tempo, essa lógica também é transferida para a relação com Deus. Muitos passam a crer que uma vida moralmente correta é suficiente para garantir aceitação espiritual. Essa ideia, embora amplamente difundida, não encontra apoio nas Escrituras.

A moralidade tem seu lugar na vida social e revela limites necessários para a convivência humana. No entanto, ela nunca foi apresentada como solução para o problema central do homem. O erro está em tratar o comportamento como raiz, quando ele é apenas fruto. A Bíblia não descreve o ser humano como alguém que precisa apenas de ajustes externos, mas como alguém que necessita de redenção interior.

O grande equívoco da confiança na moralidade é supor que Deus avalia o homem da mesma forma que os homens se avaliam entre si. Aos olhos humanos, comparação e mérito fazem sentido. Diante de Deus, porém, o padrão é outro. A Escritura revela que o problema não está apenas nas ações erradas, mas na condição do coração. Uma fonte contaminada não se purifica com boas aparências.

Quando a moralidade ocupa o lugar da fé, nasce o orgulho espiritual. O homem passa a se apoiar no que faz, e não em quem Deus é. Essa postura gera duas consequências perigosas: falsa segurança para quem “se comporta bem” e desespero silencioso para quem reconhece suas falhas. Em ambos os casos, a graça é esvaziada.

A fé cristã histórica sempre ensinou que a salvação não é recompensa por desempenho, mas resposta ao amor de Deus. A transformação moral verdadeira não precede a salvação; ela decorre dela. Quando o homem tenta inverter essa ordem, transforma a fé em esforço e a graça em mérito.

Reconhecer que a moralidade não salva não é desprezar o bem, mas colocá-lo em seu devido lugar. O comportamento correto é fruto de uma vida transformada, não a causa dela. A verdadeira segurança espiritual nasce quando o homem deixa de confiar em si mesmo e passa a confiar plenamente naquilo que Deus já fez. É nesse ponto que a fé deixa de ser peso e se torna descanso.

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