Postagens

O silêncio que forma o coração

Imagem
 Durante grande parte da vida, aprendemos a preencher o tempo. Preencher com tarefas, palavras, compromissos e explicações. O silêncio, muitas vezes, é visto como vazio, perda de tempo ou sinal de improdutividade. No entanto, com o passar dos anos, o silêncio começa a se impor. Nem sempre como escolha, mas como realidade. A vida desacelera, as vozes diminuem e o barulho externo perde intensidade. Confesso que, em muitos momentos, resisti ao silêncio. Ele me parecia desconfortável. No silêncio, não há distrações suficientes para afastar pensamentos, lembranças e perguntas. Tudo o que foi evitado encontra espaço para emergir. O silêncio revela o que o ruído escondia. A fé cristã, porém, não trata o silêncio como ausência, mas como ambiente de formação. É no silêncio que o coração aprende a escutar. Escutar não apenas a si mesmo, mas a Deus. Quando as palavras cessam, a pressa diminui e o controle se afrouxa, algo começa a ser moldado no interior. Com o envelhecer, percebo que Deus...

Resenha: Libertação da Teologia – Juan Luis Segundo

Imagem
Autor: Juan Luis Segundo Publicação original: 1975 | Brasil: 1978 Tema principal Crítica metodológica à teologia da libertação. Resenha Juan Luis Segundo propõe que a teologia precisa ser libertada em seu método, e não apenas em seu discurso. Diferente de obras mais pastorais, este livro possui caráter acadêmico e crítico, voltado à reflexão teológica profunda. O autor introduz o conceito do “círculo hermenêutico”, defendendo que toda teologia parte de um contexto social e histórico. Segundo ele, não existe neutralidade teológica. A interpretação bíblica sempre dialoga com a realidade vivida. Segundo critica tanto a teologia acadêmica tradicional quanto leituras ideológicas simplistas. Seu objetivo é propor um método teológico responsável, consciente de seus pressupostos e comprometido com a realidade humana. Conclusão Uma obra densa e exigente, fundamental para estudiosos da teologia latino-americana e da hermenêutica contemporânea.

Resenha Livro: A Glória da Pregação

Imagem
  Autor: Darrell W. Johnson Ano de publicação (original): 2009 Idioma original: Inglês Edição em português (Brasil): Título: A Glória da Pregação Editora: Vida Nova Ano de publicação em português: 2010 (reimpressões posteriores) Introdução The Glory of Preaching é uma obra profundamente reverente sobre a natureza, o propósito e a responsabilidade da pregação cristã. Darrell W. Johnson escreve a partir da convicção histórica de que a pregação não é mera comunicação religiosa, mas um ato espiritual no qual Deus, por Sua graça, escolhe falar ao Seu povo. Em um tempo marcado por pragmatismo e técnicas de persuasão, o autor chama a Igreja de volta a uma visão elevada e teologicamente sólida do púlpito. Estrutura e número de capítulos O livro é organizado em capítulos temáticos , estruturados de modo progressivo. Os capítulos iniciais tratam da teologia da pregação , apresentando-a como meio ordinário da ação divina na Igreja. A parte central explora a relação ent...

Resenha Livro de Paul David Tripp: Sexo e Dinheiro

Imagem
  Livro: Sexo & Dinheiro Autor: Paul David Tripp Ano de publicação: 2013 Introdução: O autor apresenta sexo e dinheiro como áreas profundamente espirituais da vida humana. Longe de uma abordagem moralista, o livro parte do evangelho para mostrar como desejos, escolhas e prioridades nessas áreas revelam o que governa o coração. Número de capítulos: 12 capítulos Conteúdo (visão geral): A obra é dividida em duas grandes seções. Na primeira, Tripp trata da sexualidade à luz da criação, queda e redenção, abordando pureza, tentação e propósito. Na segunda, analisa o dinheiro como instrumento espiritual, discutindo consumo, contentamento, generosidade e idolatria. Em ambos os temas, o foco permanece na transformação do coração pelo evangelho. Conclusão: Sexo & Dinheiro conclui reafirmando que liberdade nessas áreas não vem do autocontrole isolado, mas da submissão contínua a Cristo. O livro chama o leitor a viver com integridade, gratidão e responsabilidade, reconhecendo Deus ...

Quando o que parece espiritual não vem de Deus

Imagem
Quando a força interior ocupa o lugar do Espírito Um dos enganos mais sutis da vida espiritual é confundir intensidade humana com ação divina. Em muitos contextos religiosos, aquilo que é forte, eloquente, emocionalmente envolvente ou carismático passa a ser automaticamente interpretado como espiritual. No entanto, a Escritura ensina que nem tudo o que produz impacto procede do Espírito de Deus. Existe uma fonte interior que pode gerar experiências religiosas convincentes sem produzir transformação verdadeira. O ser humano foi criado com capacidades naturais poderosas. A mente raciocina, as emoções mobilizam, a vontade sustenta decisões e a personalidade influencia pessoas. Esses recursos, em si, não são maus. O problema surge quando passam a ser usados como base da vida espiritual e do serviço cristão. Nesse ponto, a alma deixa de servir e começa a governar. Quando a alma assume o controle, surgem práticas espirituais que funcionam externamente, mas carecem de vida interior. Discursos...

A falsa segurança de ser "bonzinho"

Imagem
  Desde cedo, o ser humano aprende a medir valor por comportamento. Fazer o bem, evitar erros graves e manter uma conduta aceitável tornam-se critérios para julgar a si mesmo e aos outros. Com o tempo, essa lógica também é transferida para a relação com Deus. Muitos passam a crer que uma vida moralmente correta é suficiente para garantir aceitação espiritual. Essa ideia, embora amplamente difundida, não encontra apoio nas Escrituras. A moralidade tem seu lugar na vida social e revela limites necessários para a convivência humana. No entanto, ela nunca foi apresentada como solução para o problema central do homem. O erro está em tratar o comportamento como raiz, quando ele é apenas fruto. A Bíblia não descreve o ser humano como alguém que precisa apenas de ajustes externos, mas como alguém que necessita de redenção interior. O grande equívoco da confiança na moralidade é supor que Deus avalia o homem da mesma forma que os homens se avaliam entre si. Aos olhos humanos, comparação ...

O perigo de confiar em sua capacidade

Imagem
Há uma tendência antiga e persistente na espiritualidade humana: confiar na própria capacidade interior como fonte de vida, discernimento e poder espiritual. Em muitos contextos religiosos, essa confiança é vista como maturidade, equilíbrio emocional ou até como sinal de unção. Contudo, quando examinada à luz das Escrituras, essa postura revela um perigo silencioso e profundo. O ser humano possui faculdades naturais poderosas. A mente é capaz de raciocínio sofisticado, as emoções influenciam decisões, a vontade sustenta perseverança, e a personalidade pode exercer grande influência sobre outros. Esses recursos, quando bem desenvolvidos, produzem resultados visíveis e frequentemente impressionantes. O problema surge quando tais capacidades passam a ocupar o lugar que pertence exclusivamente à ação do Espírito de Deus. A fé cristã nunca ensinou que transformação espiritual nasce do potencial humano. Pelo contrário, o caminho bíblico sempre foi o da cruz: a negação do domínio da vida natu...