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Resenha do Livro de Martyn Lloyd Jones - Estudos no Sermão do Monte

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Autor: Martyn Lloyd-Jones Título: Studies in the Sermon on the Mount Editora: Eerdmans Publishing Company Data de publicação: 1959 (edição original em inglês; reedições posteriores) Extensão: 2 volumes em muitas edições reunidas; aproximadamente 60 capítulos (variando conforme a edição) Esta obra é um clássico da literatura teológica evangélica do século XX e resulta de exposições pastorais proferidas por Martyn Lloyd-Jones na Capela de Westminster, em Londres. O autor adota uma abordagem expositiva e pastoral do Sermão do Monte (Mateus 5–7), mantendo fidelidade ao texto bíblico, à teologia reformada histórica e à aplicação prática da fé cristã. O método de Lloyd-Jones valoriza a tradição da pregação expositiva contínua, resgatando uma leitura profunda, contracultural e espiritualmente exigente das palavras de Jesus. O argumento central do livro é que o Sermão do Monte descreve o caráter do verdadeiro cidadão do Reino de Deus, não como um ideal ético inalcançável, mas como a exp...

Avós e Netos, um legado que arravessa gerações

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  Título: Avós e Netos: Construindo Memórias Eternas A Escritura revela que a fé não foi planejada para permanecer em uma única geração. Deus ordenou que Suas palavras fossem ensinadas “a teus filhos e aos filhos de teus filhos” (Deuteronômio 4:9). O relacionamento entre avós e netos, portanto, não é apenas afetivo — é espiritual. É parte do projeto divino de continuidade da aliança. Vivemos em um tempo em que as gerações caminham em ritmos diferentes, mas o padrão bíblico permanece: a transmissão intencional da fé dentro da família. O Salmo 78:4 declara que devemos contar à geração vindoura os louvores do Senhor e as Suas maravilhas. Avós são testemunhas vivas dessas maravilhas. Ao longo da minha caminhada, compreendi que o legado não se constrói apenas em momentos extraordinários, mas na fidelidade diária. Fiquei viúva quando meus filhos ainda eram muito novos. Houve incertezas, responsabilidades ampliadas e decisões difíceis. Contudo, experimentei o cuidado de Deus como Pai dos ...

Palavras que Edificam: Nossa responsabilidade ao falar

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Desde os tempos bíblicos, as palavras sempre foram tratadas como algo sério. A Escritura nunca as considerou neutras ou inofensivas. Falar, no entendimento cristão, é um ato moral e espiritual. Palavras revelam o coração, moldam relações e produzem efeitos que ultrapassam o momento em que são ditas. Por isso, a fé cristã sempre atribuiu grande responsabilidade à maneira como o ser humano se comunica. No mundo contemporâneo, a palavra perdeu peso. Fala-se muito, escuta-se pouco, e reflete-se menos ainda. Redes sociais, debates públicos e até conversas cotidianas são marcadas por impulsividade, ironia, agressividade e superficialidade. Nesse contexto, o cristão é constantemente desafiado a falar de modo diferente, não por superioridade moral, mas por submissão à Palavra. A tradição cristã ensina que a fala nasce do coração. Não se trata apenas de técnica de comunicação, mas de formação interior. Quando o coração está desordenado, as palavras se tornam instrumentos de ataque, autopromoç...

Glória de Deus nas Pequenas Coisas: A Fidelidade que Sustenta a Vida Cristã

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 Ao longo da história da fé cristã, a glória de Deus nunca foi associada apenas a grandes feitos, eventos extraordinários ou momentos visíveis de triunfo. Pelo contrário, a tradição cristã sempre ensinou que Deus é honrado, de forma profunda e consistente, nas pequenas coisas do cotidiano. A vida cristã não é composta apenas de marcos grandiosos, mas de escolhas diárias, quase invisíveis, feitas com fidelidade. A Escritura revela que Deus se agrada da obediência constante mais do que de atos pontuais de destaque. A fé cristã histórica jamais estimulou uma espiritualidade baseada na busca por reconhecimento. O caminho da maturidade espiritual sempre foi descrito como um percurso silencioso, marcado por perseverança, constância e reverência nas tarefas simples da vida. O problema é que vivemos em uma cultura que valoriza o extraordinário e despreza o ordinário. Resultados rápidos, visibilidade e impacto imediato são tratados como sinais de sucesso. Nesse contexto, o cristão pode se...

O Refúgio que Sustenta: Segurança na vontade de Deus

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Ao longo das Escrituras, Deus sempre se revelou como abrigo para o Seu povo. Desde o Éden até a Nova Jerusalém, a narrativa bíblica aponta para uma verdade imutável: o coração humano foi criado para encontrar segurança em Deus e não nas estruturas frágeis deste mundo. O salmista declara: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem-presente na angústia” (Salmo 46:1). Essa afirmação não é poesia meramente devocional; é teologia prática. Refúgio implica proximidade. Fortaleza implica estrutura. O Senhor não oferece apenas consolo emocional, mas sustentação real, fundamento sólido. Ao longo da história bíblica, vemos homens e mulheres que tentaram construir segurança fora da vontade divina. Israel buscou alianças políticas (Isaías 30:1-2). Saul procurou estabilidade no controle humano (1 Samuel 15). Contudo, a verdadeira segurança sempre esteve na dependência do Senhor. Provérbios 18:10 afirma que “o nome do Senhor é torre forte”. A torre não é fuga da realidade, mas posicionamento...

Quando Deus parece que está em silencio

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 Há perguntas que quase todos já fizeram, mas poucos têm coragem de expressar em voz alta. Por que Deus permitiu isso? Por que minha oração não foi respondida? Por que o justo sofre? Em momentos de dor ou frustração, essas questões emergem com intensidade. O problema não está em perguntar. O desafio está no que fazemos depois da pergunta. Alguns permitem que a ausência de respostas imediatas se transforme em distanciamento de Deus. Outros aprendem a confiar mesmo sem compreender completamente. A fé bíblica não é construída sobre explicações detalhadas, mas sobre confiança no caráter de Deus. Não é necessário entender todo o plano para confiar que existe um propósito. A história das Escrituras revela repetidamente que Deus opera além da visão limitada humana. O sofrimento é um dos maiores catalisadores de questionamentos. Quando algo foge ao controle, a tendência natural é exigir explicações. Entretanto, a Bíblia mostra que Deus nem sempre revela o “porquê”, mas frequentemente re...

Perdido dentro da Igreja

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 Entre as palavras mais fortes ditas por Jesus, poucas confrontam tanto quanto aquelas que revelam a possibilidade de alguém estar dentro e, ainda assim, perdido . Nas três parábolas de Lucas 15 — a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho perdido — o fio condutor é a alegria do reencontro. Céu em festa. Casa em celebração. Comunidade convocada para se alegrar. Contudo, há um personagem que destoa desse movimento: o filho mais velho. Ele não se perdeu geograficamente, mas espiritualmente. Não saiu de casa, mas saiu do coração do Pai. É significativo notar que, nas três parábolas, a alegria é coletiva. O pastor chama os amigos. A mulher convoca as vizinhas. O pai prepara uma festa. O Reino de Deus não celebra sozinho. Ele compartilha a restauração. O problema é que o filho mais velho não consegue se alegrar com aquilo que alegra o Pai. Ele está do lado de fora, enquanto o filho que havia se perdido está dentro da casa. Essa inversão revela algo profundo: é possível obedecer regr...