Inveja: Entregar, confiar e Descansar em Deus

Existe um perigo muito sutil na vida espiritual: a pessoa começa uma batalha legítima, mas, aos poucos, passa a lutar não mais sob a direção de Deus, e sim movida pela sua própria ansiedade.

Ela vê algo errado.
Vê pessoas agindo de forma imatura.
Vê injustiças.
Vê desorganização.
Vê falhas na liderança.

E então conclui: "Se eu não fizer alguma coisa, ninguém fará."

Nesse momento, sem perceber, ela assume um peso que Deus nunca colocou sobre seus ombros.

O problema é que nem sempre o zelo é zelo. Às vezes é controle disfarçado de zelo.

Nem toda indignação vem do Espírito Santo. Às vezes ela nasce de feridas antigas, de frustrações acumuladas e de ciclos que se repetem.

Uma pessoa pode passar anos reclamando da passividade dos outros sem perceber que está repetindo o mesmo padrão: tentar assumir a responsabilidade que pertence a Deus ou a outras pessoas.

Quanto mais ela tenta controlar, mais frustrada fica.

Quanto mais frustrada fica, mais ora com raiva.

Quanto mais ora com raiva, mais acredita que está em guerra espiritual.

Mas nem toda guerra é espiritual. Algumas são emocionais.

Há pessoas que entram em jejum porque estão feridas, não porque foram chamadas por Deus para jejuar.

Entram em oração porque estão irritadas, não porque receberam uma direção do Senhor.

O coração diz que está buscando a Deus, mas, na verdade, está tentando convencer Deus a fazer aquilo que ela acha que deveria ser feito.

Isso é perigoso.

Porque existe uma linha muito fina entre intercessão e controle.

Entre autoridade espiritual e manipulação espiritual.

Entre discernimento e suspeita.

Entre zelo e inveja.

A inveja nem sempre aparece como desejo de possuir o que o outro tem.

Às vezes ela aparece como incômodo pelo favor que o outro recebeu.

Como irritação pela influência que o outro exerce.

Como resistência ao fato de Deus estar usando alguém de uma forma diferente daquela que imaginávamos.

Por isso a Escritura diz:

"Porque onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins."

Tiago 3.16

A inveja produz confusão.

A confusão produz acusações.

As acusações produzem divisão.

E a divisão produz ciclos.

Então a pessoa vive repetindo a mesma história.

Muda a igreja, mas o conflito permanece.

Muda a liderança, mas a insatisfação permanece.

Mudam os relacionamentos, mas as acusações permanecem.

Mudam os cenários, mas os padrões continuam.

Porque o problema nunca esteve apenas ao redor dela.

Parte da batalha estava dentro dela.

Jesus ensinou algo profundo quando falou da trave e do argueiro.

Antes de corrigir o mundo inteiro, examine o próprio coração.

Antes de acusar todos de omissão, pergunte ao Senhor se existe ansiedade, controle, orgulho espiritual ou ressentimento escondido.

Nem todo muro quebrado da igreja foi dado a você para reconstruir.

Nem toda falha da liderança foi dada a você para corrigir.

Nem todo problema que você enxerga é uma missão que Deus lhe entregou.

Maturidade espiritual é discernir a diferença.

Há momentos em que Deus manda levantar a voz.

Há momentos em que Deus manda ficar em silêncio.

Há momentos em que Deus manda confrontar.

Há momentos em que Deus manda confiar.

Quem não aprende essa diferença acaba carregando fardos desnecessários e vivendo exausto.

O Reino de Deus não depende da nossa capacidade de controlar pessoas.

O Reino continua sendo governado por Cristo.

E uma das maiores demonstrações de fé não é fazer mais, falar mais ou controlar mais.

É conseguir entregar a Deus aquilo que só Deus pode mudar.

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