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Liderança saudável ou transferência de responsabilidade?

 Uma liderança saudável é necessária para a igreja. Mas existe uma diferença enorme entre depender de uma liderança saudável e transferir para a liderança uma responsabilidade que Deus colocou sobre nós . O líder deve ensinar, orientar, proteger, corrigir, equipar e acompanhar. A Escritura apresenta líderes como aqueles que devem preparar os santos para a obra do ministério (Ef 4:11-12). Mas preparar não significa fazer tudo pelos outros. Uma liderança madura não cria pessoas eternamente dependentes dela. Ela forma discípulos capazes de crescer, discernir, servir e assumir responsabilidade diante de Deus. A transferência de responsabilidade acontece quando o cristão começa a esperar que o líder faça aquilo que ele próprio deveria fazer. “Meu pastor não me procurou.” “Não me deram uma oportunidade.” “Ninguém me ensinou.” “O líder não mandou.” “Se a liderança aprovou, então não preciso discernir.” Em alguns casos, essas frases podem revelar problemas reais de liderança. Entretanto, ...

Quantas pessoas estão realmente exercendo seus dons?

Quantas pessoas em sua igreja estão realmente exercendo os dons que Deus lhes concedeu? Essa pergunta merece mais do que uma resposta baseada na escala do culto de domingo. Existe uma tendência de reduzir o exercício dos dons às atividades visíveis da reunião: quem prega, quem canta, quem toca, quem dirige ou quem ocupa alguma posição reconhecida. Mas o Novo Testamento apresenta uma realidade muito mais ampla. Paulo compara a igreja a um corpo. “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1Co 12:27, NAA). Um corpo não funciona apenas quando está reunido em determinado horário. O dom de ensinar pode aparecer no discipulado de alguém. O dom de misericórdia pode ser exercido na visita a uma pessoa enferma. O dom de encorajamento pode transformar uma conversa. O dom de hospitalidade pode abrir uma casa. O dom de contribuição pode sustentar uma necessidade. O serviço pode acontecer longe de qualquer plataforma. O culto de domingo é parte da ...

Quando Deus Restaura, Ele Também Exige Perseverança

A restauração raramente acontece de uma vez. Em geral, Deus inicia uma obra, conduz seu povo por processos, enfrenta resistências e, no tempo certo, chama novamente à fidelidade. Os capítulos 1 a 10 de Esdras nos apresentam exatamente esse movimento: Deus desperta, conduz, sustenta, corrige e restaura. O livro de Esdras começa com uma demonstração poderosa da soberania de Deus. O Senhor move o coração do rei Ciro para permitir que os judeus retornem a Jerusalém e reconstruam o templo. Aquilo que parecia impossível começa por uma ação que não nasce da força humana, mas da providência divina. Essa verdade continua atual: quando Deus decide restaurar alguma coisa, Ele é capaz de mover circunstâncias, pessoas e estruturas que estão além do nosso alcance. Mas a restauração não significa ausência de oposição. Ao longo da reconstrução, surgem adversários. O trabalho é interrompido e o povo precisa lidar com resistência, acusações e ameaças. Esdras nos lembra que uma obra iniciada por Deus ain...

Jesus está dentro da igreja?

 Eis que estou à porta e bato...” (Apocalipse 3:20, NAA). Há algo profundamente perturbador nessa declaração de Jesus à igreja de Laodiceia: Jesus estava do lado de fora . Não estamos falando de uma cidade sem religião, de pessoas que nunca ouviram falar de Cristo ou de um povo completamente afastado da fé. Jesus estava falando com uma igreja. Uma comunidade que se reunia, possuía uma identidade religiosa e provavelmente mantinha sua estrutura funcionando. Ainda assim, Cristo estava do lado de fora. Isso nos obriga a fazer uma pergunta desconfortável: é possível uma igreja continuar funcionando sem que Cristo esteja, de fato, no centro? É possível cantar, pregar, organizar eventos, manter departamentos, administrar recursos e reunir muitas pessoas — e, ainda assim, perder a centralidade de Jesus. O problema de Laodiceia não era ausência de atividade. Era autossuficiência. “Estou rico, estou abastado e não preciso de nada” (Ap 3:17). A igreja havia chegado ao ponto de acreditar que ...

10 — VIVENDO O CASAMENTO DEBAIXO DO GOVERNO DE DEUS “Venha o teu Reino” — uma mulher que ora, vive e espera pelo Rei

Chegamos ao décimo e último plano desta série, depois de percorrermos diferentes aspectos do Reino de Deus e de sua relação com a vida da mulher cristã, com o casamento e com a família. Ao longo dessa caminhada, fomos compreendendo que o Reino não é apenas uma realidade futura, mas o governo de Deus inaugurado em Cristo e presente na vida daqueles que se submetem ao seu senhorio. Ao mesmo tempo, ainda aguardamos o dia em que esse governo será plenamente manifestado e todas as coisas serão restauradas. Essa realidade nos coloca diante de uma das dimensões mais importantes da vida cristã: aprender a viver no presente enquanto aguardamos o futuro de Deus. O casamento também está inserido nessa tensão. Existem coisas que Deus já começou a fazer, existem transformações que já podemos experimentar e existem promessas cuja plenitude ainda esperamos. Por isso, a esposa de fé precisa aprender a viver com esperança sem negar a realidade, a agir com responsabilidade sem tentar controlar tudo e a ...

Mateus 26–28: O Rei Morre, Ressuscita e Envia

Durante todo o Evangelho de Mateus, uma pergunta foi crescendo diante de nós: quem é Jesus? No início, ele foi apresentado como filho de Davi e filho de Abraão. Depois, vimos sua autoridade sobre enfermidades, demônios, natureza e pecado. Ouvimos seus ensinamentos sobre o Reino, vimos discípulos abandonarem tudo para segui-lo e testemunhamos Pedro confessar que ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Jesus entrou em Jerusalém como Rei, mas agora chegamos ao momento para o qual toda a narrativa estava caminhando: a cruz. Mateus 26–28 não é simplesmente o relato dos últimos dias de Jesus. É o centro da mensagem cristã. O Rei será rejeitado, traído, condenado, crucificado e sepultado. E então acontecerá aquilo que nenhum de seus discípulos poderia produzir por conta própria: o Rei ressuscitará . Jesus sabe o que está por vir Mateus 26 começa com Jesus anunciando novamente sua morte: “Como vocês sabem, daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.” ...

Ele Pode Dominar-se: O Governo de Deus Começa no Coração

 A linguagem de Gênesis 4:7 também pode ser compreendida dentro do tema mais amplo do governo e da responsabilidade humana apresentado desde a criação. Em Gênesis 1:28, Deus concede ao ser humano a responsabilidade de exercer domínio sobre os seres vivos e administrar a criação. O verbo utilizado ali é רָדָה — rādâ, que traz a ideia de exercer domínio ou governar. Em Gênesis 4:7, porém, encontramos outro verbo: מָשַׁל — māšal. Nesse contexto, Deus fala a Caim sobre o pecado que deseja dominá-lo e o chama a exercer domínio sobre aquilo que está à porta de seu coração. Portanto, não se trata de afirmar que os dois textos utilizam o mesmo verbo ou que Gênesis 4:7 seja simplesmente uma repetição de Gênesis 1:28. A relação está no tema do governo: aquele que foi criado para exercer domínio responsável sobre a criação é confrontado, em Gênesis 4, com a necessidade de não permitir que o pecado exerça domínio sobre ele. Essa distinção é importante. O domínio concedido na criação não aut...