1. Vivendo o casamento debaixo do governo de Deus
Compreendendo o governo de Deus e suas implicações para a vida da mulher cristã
INTRODUÇÃO
Iniciamos esta formação com um tema que está no centro da
mensagem de Jesus: o Reino de Deus. Para uma mulher cristã, compreender o Reino
não significa apenas adquirir conhecimento sobre uma doutrina importante da fé.
Significa aprender a enxergar a própria vida a partir do governo de Deus. Isso
inclui sua identidade, suas escolhas, sua família, seu casamento, sua maneira
de lidar com as circunstâncias e sua compreensão acerca daquilo que Deus está
realizando em sua história.
Esse material apresenta o Reino de Deus como uma das
realidades centrais da fé cristã, capaz de organizar e iluminar a narrativa
bíblica. O Reino aparece relacionado à missão de Jesus, ao evangelho, à
identidade da Igreja e à história da redenção. Para as Esposas de Fé, essa
compreensão será fundamental porque não queremos estudar o casamento
isoladamente dos grandes temas da fé cristã. Queremos compreender a mulher, a
aliança matrimonial e a família dentro da história maior do governo de Deus.
Jesus iniciou sua pregação anunciando: “Arrependam-se,
porque está próximo o Reino dos céus.” (Mateus 4:17, NAA)
Esse anúncio estabelece o ponto de partida da nossa jornada.
Jesus não apresentou o Reino como um assunto secundário. Sua proclamação
anunciava a chegada de uma nova realidade na história da redenção. O material
original destaca que o Reino funciona como uma chave para compreender o
Evangelho, as parábolas, os milagres, a missão apostólica, a Igreja e o
desenvolvimento da história redentora.
Quando uma mulher compreende o Reino, ela começa a fazer
perguntas diferentes. Em vez de olhar para sua vida apenas a partir das
circunstâncias, aprende a perguntar o que Deus está fazendo e como deve
responder ao Seu governo. Em vez de interpretar o casamento somente a partir
das necessidades emocionais dos cônjuges, começa a compreendê-lo também à luz
da vontade daquele que estabeleceu a aliança.
Isso não significa ignorar os problemas reais de um
casamento. Significa colocá-los dentro de uma perspectiva maior.
1. O REINO DE DEUS COMO CENTRO DA MENSAGEM DE JESUS
O anúncio do Reino aparece logo no início do ministério
público de Jesus. Mateus registra que Ele começou a proclamar a proximidade do
Reino dos céus. Essa proclamação revela que Jesus estava anunciando mais do que
uma nova experiência religiosa. Ele estava anunciando a ação soberana de Deus
entrando decisivamente na história.
O Reino, portanto, não é simplesmente um assunto entre
tantos outros dentro da Bíblia. Ele oferece uma estrutura para compreendermos a
história da redenção. O material-base afirma que o Reino conecta Antigo e Novo
Testamento, promessa e cumprimento, expectativa e realização, história e
escatologia.
Essa perspectiva é importante para uma mulher que deseja
amadurecer espiritualmente. Muitas vezes conhecemos histórias bíblicas
individualmente, mas não conseguimos perceber como elas se relacionam dentro da
grande narrativa das Escrituras. Estudamos Abraão, Moisés, Davi, os profetas,
Jesus, os apóstolos e a Igreja, mas podemos perder de vista o fio que atravessa
toda essa história: Deus está realizando Seu propósito e manifestando Seu
governo.
O casamento também precisa ser compreendido dentro dessa
história. Ele não existe simplesmente para satisfazer necessidades humanas. O
relacionamento conjugal faz parte da realidade criada por Deus e possui
significado dentro de Seu propósito. Por isso, uma Esposa de Fé precisa
aprender a perguntar não apenas “como posso ter um casamento melhor?”, mas
também “como posso viver meu casamento de maneira coerente com o governo de
Deus?”.
Essa mudança de perspectiva será uma das marcas desta
formação.
2. O “JÁ” E O “AINDA NÃO” DO REINO
Uma das questões fundamentais para compreender o Reino de
Deus é reconhecer que ele possui uma dimensão presente e uma dimensão futura. O
material apresenta essa realidade por meio da chamada teologia do “já e ainda
não”, associada especialmente à contribuição de George Eldon Ladd. O Reino já
está presente, mas ainda não chegou à sua consumação plena.
Essa verdade explica uma realidade que, muitas vezes, gera
dúvidas na vida cristã.
Se Cristo venceu, por que ainda sofremos?
Se o Reino já chegou, por que ainda existe injustiça?
Se Deus está agindo, por que algumas orações parecem
permanecer sem resposta?
Se existe poder de Deus, por que nem todas as pessoas são
curadas?
O material reconhece essa tensão. Milagres acontecem, o
poder de Deus continua operando, a transformação espiritual é real e Cristo
governa aqueles que nasceram de novo. Entretanto, a dor continua presente, a
morte ainda existe, a criação ainda geme e o mal ainda atua na história.
Isso não representa uma contradição da fé cristã. Representa
a realidade da escatologia bíblica: vivemos entre a inauguração e a consumação
do Reino.
Essa compreensão é particularmente importante para as
Esposas de Fé porque muitas mulheres vivem períodos de espera. Algumas aguardam
mudanças no casamento, outras oram pelos filhos, outras atravessam processos
familiares difíceis e outras simplesmente desejam compreender por que
determinadas situações ainda não foram transformadas.
A teologia do Reino nos ensina que a presença de Deus não
pode ser medida exclusivamente pela velocidade com que as circunstâncias mudam.
Podemos viver a realidade do Reino mesmo enquanto aguardamos
sua consumação.
3. O EQUILÍBRIO ENTRE O “JÁ” E O “AINDA NÃO”
A compreensão do “já e ainda não” também protege a mulher
cristã de dois extremos.
Se enfatizarmos somente o “já”, poderemos desenvolver uma
expectativa de que toda situação difícil deveria desaparecer imediatamente.
Isso pode produzir frustração e uma visão triunfalista da fé. O sofrimento
passa a ser interpretado como sinal automático de falta de fé, e a espera
torna-se difícil de compreender.
Por outro lado, se enfatizarmos somente o “ainda não”,
podemos transformar a fé em uma expectativa exclusivamente futura. Nesse caso,
a vida presente perde sua força transformadora, como se nada pudesse ser
experimentado hoje.
O material destaca que a maturidade cristã encontra-se
justamente na compreensão equilibrada dessas duas dimensões.
Para uma esposa, isso significa aprender a viver entre a
esperança e a realidade. Podemos crer que Deus transforma pessoas sem presumir
quando ou como Ele fará isso. Podemos orar pela restauração sem transformar
nossa expectativa em uma exigência feita a Deus. Podemos esperar uma mudança
sem deixar de obedecer àquilo que Deus já nos revelou.
A fé cristã não elimina a espera. Ela nos ensina a
atravessá-la.
4. O QUE O REINO DE DEUS NÃO É
Antes de definir positivamente o Reino, precisamos
compreender aquilo que ele não é.
O Reino de Deus não deve ser reduzido a um lugar físico, a
um território geográfico, a um povo específico ou simplesmente a uma
instituição religiosa. O material chama atenção para essa distinção porque
muitos equívocos surgem quando confundimos Reino com território.
Essa compreensão é importante porque muitas pessoas associam
automaticamente o Reino de Deus ao céu como destino futuro. Entretanto, a
mensagem de Jesus é mais ampla.
Quando Jesus anuncia o Reino, Ele está anunciando o governo
de Deus.
5. REINO COMO GOVERNO
No Novo Testamento, a palavra grega utilizada para “reino” é
basileia. Seu sentido está relacionado à realeza, ao domínio, à autoridade
soberana e ao exercício ativo do governo. Assim, falar sobre o Reino de Deus é
falar sobre o governo soberano de Deus.
Essa compreensão muda profundamente nossa perspectiva.
Jesus declara: “Quem não
receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.” (Marcos
10:15, NAA)
A linguagem utilizada por Jesus mostra que o Reino precisa
ser recebido. Não se trata de encontrar um território. Trata-se de acolher o
governo de Deus.
Da mesma maneira, quando Jesus ensina: “Busquem, pois, em
primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça.” (Mateus 6:33, NAA)
Ele não está simplesmente orientando Seus discípulos a
desejarem um lugar futuro. O chamado é para colocar o governo, a autoridade e a
justiça de Deus no centro da existência.
Essa compreensão precisa alcançar o casamento.
Uma esposa que vive debaixo do governo de Deus não pergunta
somente o que deseja que aconteça em sua casa. Ela também pergunta o que a
Palavra de Deus determina sobre sua maneira de agir dentro dela.
Isso alcança a forma como fala, como responde, como
administra conflitos, como lida com suas responsabilidades e como enfrenta
aquilo que não pode controlar.
6. REINO DE DEUS E REINO DOS CÉUS
Mateus utiliza com frequência a expressão “Reino dos Céus”,
enquanto Marcos e Lucas utilizam predominantemente “Reino de Deus”. Isso não
significa que estejam falando de dois reinos diferentes. Ambas as expressões
apontam para a mesma realidade.
A expressão utilizada por Mateus enfatiza a origem divina
desse governo. Portanto, “Reino dos Céus” não deve ser automaticamente
entendido como sinônimo de “céu” enquanto destino após a morte.
A mensagem de Jesus aponta para a chegada do governo de Deus
à história.
Essa distinção é importante porque a esperança cristã não
consiste simplesmente em abandonar a realidade presente. O Reino envolve a ação
de Deus na história e aponta para a restauração final de todas as coisas.
7. O REINO COMO REALIDADE PRESENTE
Quando Jesus diz: “Arrependam-se, porque está próximo o
Reino dos céus.” (Mateus 4:17, NAA)
Ele está anunciando a aproximação concreta do governo de
Deus. O material enfatiza que essa proclamação não deve ser interpretada
simplesmente como um anúncio de que, algum dia, as pessoas morreriam e iriam
para o céu. Jesus estava anunciando a entrada do governo de Deus na história
humana.
A atuação de Jesus demonstra essa realidade. Seus milagres,
libertações, autoridade sobre enfermidades, natureza, pecado e morte
demonstravam que o Reino estava se manifestando por meio de Sua pessoa e de Seu
ministério.
Isso também nos ajuda a compreender por que a vida cristã
não pode ser dividida em duas partes, como se existisse uma dimensão espiritual
e outra completamente secular.
O governo de Cristo alcança a totalidade da existência.
Para uma esposa, isso significa que sua vida conjugal também
está debaixo desse governo.
8. O REINO E A IGREJA
O Reino de Deus não é sinônimo da Igreja. O material faz
essa distinção de maneira clara. A Igreja é instrumento da manifestação do
Reino no presente e é a comunidade que vive sob o senhorio de Cristo.
Essa distinção também possui implicações para a mulher
cristã. A Igreja não existe simplesmente como um lugar onde participamos de
cultos. Ela é uma comunidade formada por pessoas que reconhecem o senhorio de
Cristo e manifestam, dentro da história, os valores desse Reino.
Por isso, aquilo que aprendemos na comunidade de fé precisa
alcançar nossa casa. Não podemos separar aquilo que confessamos na igreja da
maneira como vivemos dentro do casamento. A mulher que aprende sobre graça
precisa aprender a praticá-la. A mulher que aprende sobre perdão precisa
compreender o que significa perdoar. A mulher que aprende sobre verdade precisa
avaliar sua própria maneira de falar. A mulher que reconhece Cristo como Senhor
precisa permitir que esse senhorio alcance suas decisões.
9. O REINO E A ORAÇÃO
Uma das expressões mais conhecidas da oração ensinada por
Jesus está em Mateus 6:10: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim
na terra como no céu.” (Mateus 6:10, NAA)
A estrutura dessa oração é teologicamente significativa.
Jesus ensina Seus discípulos a pedir que o governo de Deus se manifeste e que
Sua vontade seja realizada na terra. O material enfatiza que o foco não está na
fuga da realidade terrena, mas na transformação da realidade pela manifestação
da autoridade divina.
Isso transforma nossa compreensão da oração dentro do
casamento.
Quando uma esposa ora pelo marido e pela família, ela não
está apenas pedindo que Deus modifique circunstâncias. Ela está pedindo que a
vontade de Deus seja estabelecida naquela casa.
Isso inclui pedir que Deus governe seu próprio coração. Inclui
pedir sabedoria para suas decisões. Inclui pedir graça para lidar com situações
difíceis. Inclui interceder pela transformação de outras pessoas sem tentar
ocupar o lugar de Deus na vida delas. A oração “venha o teu Reino” começa por
reconhecer que Deus é o Rei.
10. COSMOS E AION
Para compreender a dimensão temporal do Reino, o material
introduz uma distinção entre duas palavras gregas que podem ser traduzidas como
“mundo” em diferentes contextos: kosmos e aion.
Kosmos refere-se ao mundo como criação ordenada por Deus, à
realidade criada e à humanidade inserida nessa criação. O material relaciona
esse conceito à narrativa de Gênesis e à ordem criada por Deus.
Aion, por sua vez, refere-se a era, tempo, época ou
estrutura espiritual de determinado período histórico. Não descreve
simplesmente o mundo físico, mas uma realidade temporal. Efésios 1:20-21, por
exemplo, fala sobre a era presente e a era vindoura.
Essa distinção é importante para compreendermos que o Reino
de Deus está relacionado à inauguração de uma nova era dentro da história da
redenção. O Reino não é simplesmente uma localização geográfica futura. Ele
está relacionado à ação redentora de Deus que entrou na história por meio de
Cristo.
Para a mulher cristã, isso significa que viver de acordo com
o Reino não exige abandonar a vida cotidiana. O desafio é viver a vida
cotidiana de acordo com os valores do governo de Deus.
CONCLUSÃO
A primeira aula estabelece o fundamento sobre o qual
construiremos todo o restante desta formação: o Reino de Deus é a manifestação
do governo soberano de Deus na história, inaugurado de maneira decisiva em
Cristo e ainda aguardando sua consumação plena.
Essa compreensão nos permite olhar para o casamento de
maneira diferente. Não estamos estudando apenas técnicas de relacionamento.
Estamos aprendendo a compreender a vida conjugal dentro de uma realidade maior:
somos mulheres que pertencem a Cristo e vivem em uma história que está sendo
conduzida pelo governo de Deus.
O Reino já chegou, mas ainda aguardamos sua plenitude. Por
isso, podemos experimentar a ação de Deus e, ao mesmo tempo, enfrentar períodos
de espera. Podemos testemunhar transformação e ainda conviver com situações que
permanecem difíceis. Podemos orar com fé sem presumir que conhecemos o tempo e
a maneira como Deus responderá.
A maturidade cristã exige que saibamos viver nessa tensão
sem perder a fé e sem abandonar a realidade.
Para as Esposas de Fé, esse será um fundamento importante
durante toda a jornada. Nosso objetivo não será ensinar mulheres a controlar
circunstâncias, pessoas ou resultados. Será ajudá-las a compreender o governo
de Deus e a responder a esse governo com fé, conhecimento bíblico,
responsabilidade e maturidade.
A partir daqui, começaremos a aprofundar as implicações
dessa verdade para a vida da mulher casada.
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