3. Vivendo o Casamento debaixo do Governo de Deus

 

O “JÁ” E O “AINDA NÃO” NO CASAMENTO

Vivendo entre aquilo que Deus já começou e aquilo que ainda esperamos

Na caminhada cristã, existe uma tensão que precisamos aprender a compreender sem tentar eliminá-la: o Reino de Deus já chegou, mas ainda não foi plenamente consumado. Em Cristo, uma nova realidade foi inaugurada, o governo de Deus entrou na história e a obra de redenção já está em andamento. Ao mesmo tempo, ainda aguardamos a manifestação plena desse Reino, a vitória definitiva sobre o pecado e a restauração de todas as coisas. Essa tensão, conhecida na teologia como o “já” e o “ainda não”, é fundamental para compreendermos não apenas a mensagem do Reino, mas também a maneira como devemos viver enquanto esperamos aquilo que Deus ainda realizará.

Essa compreensão é particularmente importante para nós, mulheres que desejamos viver nossos casamentos debaixo do governo de Deus. Muitas das nossas frustrações surgem porque esperamos que aquilo que Deus começou se manifeste imediatamente em sua forma completa. Queremos transformação instantânea, respostas imediatas, restauração rápida e mudanças que eliminem de uma vez aquilo que ainda está sendo trabalhado. Quando isso não acontece, podemos interpretar o processo como ausência de Deus ou concluir que nossas orações não estão produzindo resultado.

Entretanto, a realidade bíblica é mais profunda. O fato de Deus já estar agindo não significa que tudo esteja terminado. A presença do Reino não significa a ausência imediata de conflitos. A transformação já começou, mas ainda existe um caminho a percorrer. A redenção foi inaugurada, mas aguardamos sua consumação. Essa verdade nos permite viver com esperança sem negar a realidade e, ao mesmo tempo, enfrentar a realidade sem perder a esperança.

O REINO JÁ CHEGOU, MAS A HISTÓRIA AINDA NÃO TERMINOU

Quando Jesus começou seu ministério, não estava simplesmente anunciando algo que aconteceria muitos séculos depois. Ele declarou que o Reino de Deus havia chegado. Sua presença, suas palavras, seus milagres, sua autoridade sobre os poderes das trevas e sua obra de redenção demonstravam que uma nova etapa da história havia começado.

O Reino, portanto, não é apenas futuro. Ele já está presente na pessoa e na obra de Cristo. Entretanto, a Bíblia também aponta para uma consumação futura. A história ainda caminha para um momento em que o governo de Deus será manifestado plenamente e toda oposição será definitivamente vencida.

Essa compreensão corrige dois extremos. De um lado, existe a tendência de olhar somente para o futuro e viver como se Deus não estivesse agindo no presente. Do outro, existe a tendência de imaginar que tudo aquilo que o Reino promete já deveria estar plenamente estabelecido agora. A aula-base apresenta justamente esse equilíbrio ao analisar diferentes interpretações históricas sobre o Reino e mostrar como tanto a visão exclusivamente futura quanto a visão que considera tudo já consumado apresentam problemas.

A vida cristã acontece entre essas duas realidades. Já experimentamos a salvação, mas ainda aguardamos a redenção plena. Já conhecemos a presença do Espírito Santo, mas ainda enfrentamos a realidade do pecado. Já pertencemos ao Reino, mas ainda aguardamos sua manifestação completa. Já fomos alcançadas pela graça, mas ainda estamos sendo transformadas.

Essa mesma dinâmica aparece dentro do casamento.

O CASAMENTO TAMBÉM VIVE ENTRE O “JÁ” E O “AINDA NÃO”

Um dos erros que podemos cometer dentro da vida conjugal é acreditar que, porque entregamos nosso casamento a Deus, todas as dificuldades deveriam desaparecer rapidamente. Podemos pensar que, se estamos orando corretamente, obedecendo à Palavra e buscando a vontade do Senhor, necessariamente veremos mudanças imediatas em nosso marido, em nosso relacionamento e nas circunstâncias.

Mas a vida cristã não funciona dessa maneira.

Deus pode iniciar uma obra sem concluí-la no mesmo momento. Pode começar a restaurar sem terminar a restauração imediatamente. Pode abrir uma porta sem nos mostrar todo o caminho. Pode transformar nosso coração enquanto ainda estamos esperando que determinadas circunstâncias externas sejam modificadas.

Isso não significa que Deus esteja ausente. Significa que estamos vivendo dentro da tensão do “já” e do “ainda não”.

Talvez você já tenha percebido mudanças em seu casamento, mas ainda existam áreas que precisam de restauração. Talvez seu relacionamento esteja melhor do que estava alguns anos atrás, mas ainda existam feridas que precisam ser tratadas. Talvez você tenha aprendido a reagir de maneira diferente, mas seu marido ainda não respondeu da maneira que você esperava. Talvez Deus já tenha começado a trabalhar em você, mas você ainda esteja aguardando aquilo que deseja ver acontecer na sua família.

A existência de algo ainda não concluído não significa que nada esteja acontecendo.

Essa compreensão é essencial porque nos protege de uma das maiores armadilhas da espera: interpretar o silêncio como abandono.

A ESPERA NÃO SIGNIFICA AUSÊNCIA DE DEUS

Esperar é uma das experiências mais difíceis da fé porque queremos resultados visíveis. Quando fazemos algo e imediatamente vemos o resultado, conseguimos perceber uma relação entre nossa ação e aquilo que aconteceu. Na vida espiritual, entretanto, muitas vezes somos chamadas a permanecer fiéis sem ter acesso ao resultado final.

É nesse ponto que a esperança cristã se torna diferente de um simples desejo.

Desejar é querer que algo aconteça. Esperar em Deus é continuar confiando mesmo quando ainda não conseguimos ver como aquilo acontecerá.

Isso possui enorme importância para o casamento. Existem situações nas quais precisamos fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance, mas também precisamos reconhecer aquilo que não está sob nosso controle. Podemos conversar, pedir perdão, mudar atitudes, buscar aconselhamento, estabelecer limites, orar e permanecer fiéis à Palavra. Entretanto, não podemos produzir à força uma transformação no coração de outra pessoa.

Uma das maiores fontes de desgaste para a esposa é tentar ocupar um lugar que pertence somente a Deus. Queremos convencer, pressionar, vigiar, controlar, antecipar, investigar e produzir resultados. Quando não conseguimos, ficamos frustradas e, muitas vezes, passamos a interpretar a demora como fracasso.

O “já” e o “ainda não” nos ensinam a permanecer responsáveis sem nos tornarmos controladoras.

A ESPOSA NÃO É O ESPÍRITO SANTO DO MARIDO

Essa é uma distinção necessária para quem deseja viver um casamento debaixo do governo de Deus.

Podemos interceder pelo marido, aconselhá-lo quando houver espaço para isso, conversar com ele, demonstrar amor, estabelecer limites e testemunhar com nossa própria vida. Mas não podemos ocupar a função do Espírito Santo na consciência dele.

Quando tentamos fazer isso, a oração pode se transformar em uma tentativa de controle espiritual. Começamos a observar cada comportamento, procurar sinais de mudança, interpretar cada palavra e pressionar o outro para que corresponda ao processo que imaginamos que Deus deveria estar realizando.

É necessário discernir a diferença entre perseverança e controle.

Perseverar significa continuar fazendo aquilo que Deus nos chamou a fazer, mesmo quando ainda não vemos o resultado completo. Controlar significa tentar produzir no outro aquilo que somente Deus pode realizar.

Essa distinção não nos conduz à passividade. Pelo contrário, ela nos conduz à responsabilidade correta. Precisamos trabalhar naquilo que Deus colocou em nossas mãos e confiar a Ele aquilo que não está.

QUANDO A ESPERA SE TORNA UMA PROVA DE FÉ

A espera pode revelar aquilo que realmente governa nosso coração.

Quando tudo acontece como desejamos, é relativamente fácil dizer que confiamos em Deus. A confiança é provada de maneira diferente quando oramos e ainda não vemos resposta, quando obedecemos e a situação não muda imediatamente, quando fazemos nossa parte e o outro continua agindo da mesma maneira.

É nesse momento que podemos descobrir se nossa fé está fundamentada no próprio Deus ou apenas nos resultados que esperamos receber dele.

No casamento, isso pode ser especialmente doloroso. Algumas mulheres passam anos esperando que o marido se torne mais espiritual, mais presente, mais afetuoso, mais responsável ou mais disposto a conversar. Outras esperam uma restauração depois de uma crise, uma mudança depois de um período difícil ou uma resposta depois de inúmeras orações.

A espera prolongada pode produzir cansaço. O cansaço pode produzir frustração. A frustração pode produzir controle. E o controle pode gerar ainda mais tensão dentro do relacionamento.

Precisamos interromper esse ciclo aprendendo a esperar de uma maneira diferente.

Esperar em Deus não significa ficar emocionalmente paralisada. Significa continuar caminhando enquanto esperamos.

QUANDO TRANSFORMAMOS A PROMESSA EM EXIGÊNCIA

Existe uma diferença entre confiar em uma promessa bíblica e transformar aquilo que desejamos em uma promessa que Deus nunca fez.

Essa diferença precisa ser tratada com seriedade.

A Bíblia nos oferece inúmeras promessas sobre o caráter de Deus, sua presença, sua fidelidade, sua graça, sua sabedoria e seu propósito. Entretanto, isso não significa que Deus tenha prometido que todo casamento será restaurado exatamente da maneira que imaginamos ou no tempo que desejamos.

Precisamos ter cuidado para não transformar uma expectativa pessoal em uma determinação divina.

Às vezes, dizemos: “Deus me prometeu que meu marido vai mudar”, quando aquilo que temos é simplesmente um desejo legítimo acompanhado de fé. Outras vezes, interpretamos uma circunstância, uma palavra ou uma experiência pessoal como garantia de um resultado específico.

A esperança cristã não depende de convencer Deus a realizar exatamente aquilo que imaginamos. Ela depende de saber quem Deus é.

Essa diferença muda completamente nossa maneira de esperar.

O PERIGO DA FRUSTRAÇÃO ESPIRITUAL

Quando esperamos que tudo aconteça imediatamente, podemos desenvolver uma espécie de frustração espiritual. Começamos a perguntar por que Deus ainda não fez aquilo que pedimos, por que nosso marido ainda não mudou, por que o conflito continua, por que a família ainda enfrenta dificuldades.

Se não tivermos uma compreensão bíblica do “já” e do “ainda não”, poderemos interpretar a realidade de maneira equivocada.

A aula-base mostra que a própria história da teologia registrou interpretações que caíram em extremos. Adolf von Harnack enfatizou excessivamente a dimensão ética e interior do Reino. Albert Schweitzer caminhou para uma compreensão ultraescatológica, concentrando o Reino no futuro. C. H. Dodd, em reação a essa visão, desenvolveu a chamada “escatologia realizada”, enfatizando que o Reino já havia sido plenamente realizado. Segundo o material, o problema de Dodd foi eliminar a expectativa futura do Reino.

A importância desse percurso teológico para nós está justamente em compreender que não devemos escolher entre o “já” e o “ainda não”. Precisamos manter os dois.

O Reino já chegou.

O Reino ainda será plenamente consumado.

Cristo já venceu.

Ainda aguardamos a manifestação final dessa vitória.

A transformação já começou.

Ainda estamos sendo transformados.

Essa tensão não é uma falha da fé. Ela faz parte da própria estrutura da esperança cristã.

O “JÁ” NÃO NOS AUTORIZA A IGNORAR O “AINDA NÃO”

Existe uma forma de espiritualidade que acredita que, se temos fé suficiente, todas as circunstâncias difíceis deveriam desaparecer. Essa perspectiva pode produzir uma cobrança cruel sobre pessoas que estão atravessando processos prolongados.

Dentro do casamento, isso pode aparecer quando alguém afirma que, se a esposa realmente tivesse fé, o marido já teria mudado. Ou quando uma mulher acredita que precisa demonstrar uma confiança inabalável o tempo todo para que Deus finalmente responda.

Essa maneira de pensar não considera a realidade bíblica da espera.

A presença do Reino não eliminou imediatamente toda a atuação do pecado no mundo. A própria aula-base ressalta que, embora o Reino esteja presente e produza transformação, ainda convivemos com a maldade, a injustiça e a operação contínua do pecado.

Portanto, enfrentar uma dificuldade não significa necessariamente estar fora da vontade de Deus.

Existem processos que precisam ser atravessados.

Existem situações que exigem perseverança.

Existem mudanças que acontecem lentamente.

Existem respostas que ainda não chegaram.

E existem momentos em que nossa maior demonstração de fé será continuar obedecendo mesmo sem compreender completamente o que Deus está fazendo.

O “AINDA NÃO” NÃO NOS AUTORIZA À PASSIVIDADE

Se existe um extremo que transforma a fé em cobrança, existe outro que transforma a espera em desculpa para não fazer nada.

Uma mulher pode dizer que está “esperando em Deus” quando, na verdade, está evitando uma conversa necessária. Pode afirmar que está entregando o casamento ao Senhor enquanto continua repetindo atitudes que alimentam os conflitos. Pode esperar uma restauração sem aceitar sua própria responsabilidade naquilo que precisa ser corrigido.

O “ainda não” não significa “não preciso fazer nada”.

Se Deus já inaugurou seu Reino, então já podemos viver segundo os valores desse Reino.

Se fomos alcançadas pela graça, já podemos praticar o perdão.

Se fomos chamadas à verdade, já podemos abandonar a mentira.

Se fomos chamadas à reconciliação, já podemos buscar caminhos de paz quando isso for possível e seguro.

Se fomos chamadas à maturidade, já podemos reconhecer nossos próprios erros.

A esperança futura não cancela a obediência presente.

QUANDO DEUS JÁ ESTÁ TRABALHANDO EM VOCÊ

Existe outra dimensão que precisamos considerar. Algumas vezes, estamos tão concentradas naquilo que queremos que Deus faça no marido que não percebemos aquilo que Ele já está fazendo em nós.

Talvez você tenha começado a reagir de maneira diferente. Talvez tenha aprendido a não responder imediatamente quando está irritada. Talvez tenha parado de utilizar seus filhos nos conflitos. Talvez tenha aprendido a estabelecer limites sem agressividade. Talvez tenha conseguido pedir perdão por uma atitude que anteriormente justificava. Talvez esteja aprendendo a confiar sem controlar.

Essas mudanças podem parecer pequenas diante daquilo que você ainda espera ver, mas fazem parte do processo de transformação.

O Reino de Deus não é apenas aquilo que um dia veremos plenamente. Ele também é aquilo que Cristo já está produzindo em nós.

Essa percepção é importante porque a mulher que só olha para o que ainda falta pode deixar de agradecer pelo que Deus já fez.

QUANDO A ESPOSA QUER CONTROLAR O TEMPO DE DEUS

O tempo é uma das áreas em que mais lutamos com o governo de Deus.

Queremos saber quando.

Quando ele vai mudar?

Quando a crise vai terminar?

Quando o casamento será restaurado?

Quando os filhos voltarão?

Quando Deus responderá?

Quando tudo finalmente ficará bem?

Entretanto, a fé não nos dá controle sobre o calendário de Deus. Ela nos ensina a confiar naquele que conhece o tempo, mesmo quando nós não conhecemos.

Isso não significa que devemos aceitar indefinidamente qualquer situação prejudicial. Esperar em Deus não elimina discernimento, responsabilidade ou necessidade de intervenção. Em situações de abuso, violência, ameaça ou risco, buscar proteção e ajuda não é falta de fé. O governo de Deus também se manifesta quando agimos com sabedoria e responsabilidade.

A questão é não confundir confiança com passividade nem responsabilidade com controle.

O “JÁ E AINDA NÃO” E A ESPERANÇA DO CASAMENTO

A esperança cristã não é uma esperança ingênua. Ela não depende de fechar os olhos para os problemas. A própria realidade demonstra que ainda existem pecado, sofrimento e injustiça no mundo. O material da aula ressalta que a esperança cristã está ligada à certeza de que Deus ainda conduzirá a história para sua vitória final.

Essa esperança nos permite olhar para um casamento em processo sem transformá-lo em uma sentença definitiva.

Uma crise não precisa ser interpretada como o capítulo final.

Uma fase difícil não precisa definir toda a história.

Uma falha não precisa determinar toda a identidade de uma pessoa.

Uma demora não significa necessariamente abandono.

Ao mesmo tempo, esperança não significa negar fatos. Precisamos ter coragem para reconhecer quando existe um problema, procurar ajuda quando necessário e tomar decisões responsáveis. Esperar em Deus não significa criar uma realidade imaginária. Significa enfrentar a realidade presente sem perder de vista a fidelidade de Deus.

A FÉ QUE PERMANECE NO PROCESSO

O “já” e o “ainda não” nos ensinam uma forma madura de fé. Não é a fé que exige resultados imediatos para continuar acreditando. Também não é a fé que ignora a realidade presente em nome de uma esperança abstrata.

É uma fé que consegue dizer: “Deus já começou a agir, mesmo que eu ainda não veja tudo concluído”.

Essa postura muda nossa maneira de viver o casamento.

Quando enxergamos apenas o que falta, podemos nos tornar amargas. Quando enxergamos apenas o que já aconteceu, podemos nos tornar presunçosas. Mas quando conseguimos olhar para aquilo que Deus já fez e, ao mesmo tempo, esperar aquilo que ainda fará, encontramos equilíbrio.

A esposa que aprende a viver nessa tensão deixa de medir a fidelidade de Deus apenas pela velocidade das respostas. Ela passa a reconhecer que Deus também trabalha durante o processo.

CONCLUSÃO

A compreensão do “já” e do “ainda não” é essencial para uma visão equilibrada do Reino de Deus. A aula-base mostra como diferentes interpretações históricas erraram justamente por enfatizar apenas uma dessas dimensões. Harnack reduziu o Reino à transformação ética interior; Schweitzer o concentrou quase exclusivamente no futuro; Dodd, por outro lado, enfatizou o Reino já realizado a ponto de enfraquecer sua dimensão futura. A contribuição de George Eldon Ladd seria posteriormente importante para compreender essa tensão de maneira mais equilibrada.

Para nós, essa compreensão possui consequências muito práticas. O casamento pode estar sendo transformado sem que tudo esteja resolvido. Deus pode estar trabalhando sem que ainda consigamos enxergar o resultado final. Podemos experimentar sinais de restauração e ainda enfrentar conflitos. Podemos ter avançado e ainda possuir áreas que precisam de cura e amadurecimento.

Isso não significa que devemos aceitar qualquer situação passivamente. Também não significa que devemos criar promessas que Deus nunca fez. Significa aprender a viver com responsabilidade, discernimento e esperança.

O “já” nos lembra que Cristo está presente, que seu Reino foi inaugurado e que a transformação é possível. O “ainda não” nos lembra que a história não chegou ao fim, que ainda aguardamos a consumação e que nem tudo aquilo que esperamos acontecerá imediatamente.

Entre essas duas realidades, somos chamadas a permanecer fiéis.

Talvez seu casamento esteja atravessando um processo que você gostaria que já tivesse terminado. Talvez exista uma área que você tenha pedido muitas vezes para Deus transformar. Talvez você esteja cansada de esperar. Neste momento, a compreensão do Reino pode ajudá-la a olhar novamente para sua história. Pergunte não apenas o que ainda falta, mas também o que Deus já começou.

Talvez você ainda não esteja vendo a restauração completa, mas já exista uma transformação acontecendo em você. Talvez a situação ainda não tenha mudado, mas Deus esteja ensinando você a confiar. Talvez a resposta ainda não tenha chegado, mas sua fé esteja amadurecendo durante a espera.

O Reino já chegou, mas ainda esperamos sua plena manifestação. E, enquanto esperamos, somos chamadas a viver debaixo do governo do Rei, fazendo aquilo que nos cabe, entregando aquilo que não podemos controlar e permanecendo firmes na esperança de que Deus ainda conduzirá todas as coisas à sua consumação.

PARA REFLETIR

Ao olhar para seu casamento, procure identificar aquilo que Deus já começou a transformar e aquilo que você ainda espera que aconteça. Evite olhar somente para aquilo que falta. Reconhecer os sinais de uma obra já iniciada também faz parte da gratidão e da fé.

Pense nas áreas em que você tem confundido responsabilidade com controle. Existe alguma mudança que precisa acontecer em você, enquanto a mudança no outro precisa ser entregue ao cuidado de Deus?

Reflita também sobre suas expectativas. Existe alguma coisa que você tem chamado de “promessa de Deus” quando, na verdade, pode ser apenas aquilo que você deseja profundamente? Como essa distinção pode ajudá-la a confiar mais no caráter de Deus do que em um resultado específico?

Por fim, considere como você tem enfrentado a espera. Ela tem produzido perseverança e maturidade ou tem levado você ao controle, à ansiedade, à cobrança e ao desânimo?


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