O Propósito é Cristo: Quando o Ministério Deixa de Ser o Centro

Existe um perigo silencioso na caminhada cristã: podemos começar olhando para Cristo e, ao longo do caminho, passar a olhar para aquilo que fazemos para Ele. O ministério, a igreja, os projetos, os dons, as estruturas e até mesmo as experiências espirituais podem ocupar tanto espaço que aquilo que deveria ser instrumento passa a ocupar o lugar do propósito.

Efésios 4:11-13 nos ajuda a recuperar essa perspectiva. Paulo apresenta os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, mas não termina neles. Ele aponta para uma finalidade muito maior: “até que todos cheguemos [...] à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13, NAA).

Isso significa que o ministério não é o destino. É instrumento.

O apostólico inicia, lança a semente e envia. O evangelista anuncia e alcança. O pastor cuida e acompanha. O mestre contribui para a formação do entendimento. O profético mantém diante da Igreja a visão do propósito e do cumprimento. Cada dimensão possui seu lugar, mas todas devem cooperar para uma única direção: Cristo sendo formado em seu povo.

Essa compreensão também nos ajuda a avaliar nossas próprias realizações. Podemos perguntar quantas pessoas alcançamos, quantos projetos desenvolvemos, quantos cultos realizamos ou quantas estruturas construímos. Mas existe uma pergunta mais profunda: essas coisas estão nos tornando mais semelhantes a Cristo?

A Bíblia nos apresenta uma trajetória que ajuda a compreender esse processo. Israel saiu do Egito, atravessou o deserto e caminhou em direção a Canaã. O Egito representava o início de uma nova jornada. Canaã apontava para o cumprimento. O deserto estava entre os dois e era lugar de formação. Assim também acontece conosco. Deus começa uma obra, conduz-nos por processos e nos chama a avançar em direção ao propósito.

O perigo está em parar no caminho. Podemos nos acostumar com o deserto e transformá-lo em morada. Podemos também nos orgulhar do momento em que saímos do Egito e esquecer que ainda existe uma jornada pela frente. O fato de Deus ter começado algo em nós não significa que terminou sua obra.

Por isso, maturidade espiritual não é apenas ter começado bem. É permitir que Deus continue trabalhando até que aquilo que Ele iniciou alcance sua finalidade. O processo pode ser longo, exigente e, algumas vezes, desconfortável, mas ele possui um propósito.

E qual é esse propósito? Cristo.

Não se trata apenas de conhecer mais sobre Jesus, falar sobre Jesus ou trabalhar para Jesus. Trata-se de sermos transformados à sua semelhança. Paulo expressa esse desejo quando fala de conhecer Cristo e experimentar o poder de sua ressurreição (Filipenses 3:10, NAA). A vida cristã é uma caminhada de aproximação, transformação e conformação ao Filho.

É aqui que encontramos a verdadeira excelência. Excelência cristã não é perfeccionismo, aparência de sucesso ou reconhecimento humano. É fidelidade ao modelo. É permitir que aquilo que Deus está construindo em nós corresponda cada vez mais a Cristo.

No final, não será o tamanho da nossa plataforma que definirá nossa história, mas a medida de Cristo formada em nós. Não será a quantidade de pessoas que nos conheceram, mas o quanto nossa vida revelou aquele a quem pertencemos.

O maior resultado de um ministério não é construir algo grande para Deus, mas tornar-se alguém cada vez mais parecido com Cristo.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Posso fazer sexo quando estou de jejum?

Mães de Joelho no Secreto

Eu sou uma Esposa de Fé