O Que Você Já Recebeu e Deixou de Valorizar?
A gratidão cristã não nasce simplesmente quando tudo está bem. Ela nasce quando somos capazes de olhar para a nossa história e reconhecer a graça de Deus presente nela. Por isso, gratidão também é memória. É lembrar de onde Deus nos tirou, das portas que abriu, das vezes em que nos sustentou e de tudo aquilo que, um dia, recebemos como resposta de oração.
Paulo nos ensina: “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1 Tessalonicenses 5:18 — NVI). Isso não significa agradecer pelo mal ou fingir que a dor não existe. Existem perdas, injustiças, doenças e tragédias que não são boas. A gratidão bíblica não nega a realidade do sofrimento. Ela reconhece que, mesmo dentro dele, Deus continua sendo Deus, continua sendo bom e continua presente.
Um dos grandes perigos da vida espiritual é esquecer. Em Deuteronômio 8:11-14, Moisés adverte Israel para que não se esqueça do Senhor depois de experimentar fartura, boas casas, crescimento e prosperidade. O problema não estava na bênção, mas na possibilidade de receber a bênção e esquecer o Deus da bênção.
Isso também pode acontecer conosco. O emprego que um dia pedimos chorando pode se tornar o emprego do qual reclamamos. A casa que foi motivo de oração pode tornar-se apenas “a minha casa”. O casamento que um dia agradecemos a Deus pode passar a ser visto somente pelas suas dificuldades. Os filhos que tanto desejamos podem transformar-se na razão das nossas reclamações.
A murmuração começa quando a memória da graça enfraquece. Quando esquecemos o que Deus já fez, nossos olhos se concentram naquilo que ainda não temos. Por isso Paulo diz: “Façam tudo sem queixas nem discussões” (Filipenses 2:14).
Mas existe um motivo infinitamente maior para a nossa gratidão: Cristo. Efésios 2:4-5 nos lembra que, embora estivéssemos mortos em nossos pecados, Deus nos deu vida juntamente com Cristo. Não precisávamos apenas de ajuda. Precisávamos de salvação.
Romanos 5:8 declara: “Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” A cruz não foi uma recompensa. Foi graça. Cristo não morreu porque merecíamos, mas porque decidiu amar.
Por isso, a verdadeira gratidão não termina em um simples “obrigado, Jesus”. Ela produz uma resposta de vida. Romanos 12:1 apresenta essa resposta como entrega: oferecer o próprio corpo como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”.
A gratidão precisa sair dos lábios e alcançar nossas escolhas, relacionamentos, trabalho, família e vida espiritual. Ela não significa acomodação. Podemos desejar mais, trabalhar por mais, orar por mais e sonhar com mais. Porém, não podemos permitir que aquilo que ainda não recebemos roube nossa capacidade de agradecer pelo que Deus já fez.
Quem se lembra daquilo que Deus fez não vive reclamando daquilo que ainda não recebeu.
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