Os Cinco Ministérios: Crescendo na Estatura de Cristo
Em Efésios 4:11-13, Paulo apresenta cinco ministérios concedidos por Cristo à sua Igreja: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Entretanto, quando observamos o texto com atenção, percebemos que Paulo não está simplesmente apresentando cinco funções ou cargos ministeriais. Ele está revelando uma dinâmica de formação. Esses ministérios existem para preparar os santos, edificar o corpo de Cristo e conduzi-lo à maturidade, até que todos alcancemos a medida da estatura da plenitude de Cristo.
Essa perspectiva muda nossa maneira de enxergar os ministérios. O centro não são os ministros, nem as estruturas que construímos, mas Cristo. Ele é o modelo e, ao mesmo tempo, a medida. Os ministérios são instrumentos utilizados por Deus para que seu povo seja formado segundo esse modelo.
O apostólico está relacionado ao começo, ao envio e à implantação. A palavra apóstolo carrega a ideia daquele que é enviado. Existe uma semente que precisa ser lançada para que algo possa começar. Cada um de nós, de alguma maneira, é fruto de uma semente apostólica, porque alguém foi enviado, pregou, testemunhou ou viveu de tal maneira que o evangelho chegou até nós. Mas o começo não é o fim.
O evangelista participa do movimento pelo qual essa semente alcança pessoas. O evangelho precisa chegar a pessoas reais, inseridas em histórias reais, marcadas por dores, enfermidades, dependências, conflitos e necessidades. O evangelista anuncia Cristo onde as pessoas estão, levando a mensagem que pode transformar suas vidas.
Depois do encontro, existe o cuidado. O pastor acompanha aqueles que foram alcançados, ajudando-os a caminhar na nova vida. Pessoas não precisam apenas de uma decisão; precisam de acompanhamento, orientação e cuidado ao longo de sua caminhada. O pastoreio participa desse processo de maneira próxima e contínua.
O mestre, por sua vez, contribui para a formação da mente. A maturidade cristã não é construída somente por experiências. Precisamos conhecer a Palavra, compreender aquilo que cremos e permitir que a verdade transforme nossa maneira de pensar. Não precisamos escolher entre conhecimento e Espírito, entre verdade e fogo. A formação saudável envolve ambos.
O profético nos ajuda a olhar para o propósito e para o cumprimento. Se o apostólico representa o início, o profético aponta para o destino. Podemos compreender essa trajetória pela experiência de Israel: o Egito representa aquilo de onde o povo foi retirado; Canaã representa aquilo para o qual Deus o conduzia; e o deserto representa o processo entre os dois. Nesse caminho, evangelismo, pastoreio e ensino cooperam na formação do povo.
Por isso, não podemos confundir o processo com o destino. Deus não deseja apenas nos tirar do Egito; Ele deseja formar em nós o caráter de Cristo. A finalidade de toda essa construção é chegar àquilo que Paulo chama de “medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13, NAA).
A verdadeira excelência cristã não está em títulos, estruturas ou reconhecimento. Está em sermos cada vez mais semelhantes a Jesus. Nobreza, na perspectiva do Reino, é ter Cristo como modelo e permitir que sua natureza seja formada em nós.
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