Série A Preparação da Noiva - 5. QUANDO O FUTURO DE DEUS ENTRA NO PRESENTE
Vivendo a realidade do Reino enquanto aguardamos sua consumação
Nas aulas anteriores, avançamos na compreensão do Reino de Deus a partir de sua presença na história e de sua relação com a pessoa de Jesus Cristo. Aprendemos que o Reino não pode ser reduzido a uma realidade exclusivamente futura, nem a uma experiência apenas interior. Também vimos que a proclamação de Jesus apresentava uma reivindicação central: o governo de Deus havia chegado. A aula anterior mostrou ainda como Gerhardus Vos contribuiu para essa compreensão ao destacar a natureza teológica e intencional da proclamação do Reino feita por Jesus. A partir dessa base, chegamos à contribuição de George Eldon Ladd e àquilo que se tornou conhecido como a compreensão do “já e ainda não”, ou escatologia inaugurada.
Essa compreensão é fundamental porque nos ajuda a responder uma pergunta que acompanha toda a experiência cristã: como podemos experimentar hoje aquilo que pertence ao futuro de Deus? Se o Reino será plenamente estabelecido no futuro, por que Jesus anunciou que ele já havia chegado? Se ainda esperamos a restauração completa de todas as coisas, o que significa dizer que uma nova realidade já foi inaugurada?
A resposta está justamente na tensão entre aquilo que já aconteceu e aquilo que ainda acontecerá. Em Cristo, o futuro de Deus começou a invadir o presente. A realidade que esperamos para a consumação começou a se manifestar na história por meio da pessoa, da morte, da ressurreição e do ministério de Jesus. O Reino ainda não alcançou sua plenitude, mas já está presente e operante.
Essa verdade não é apenas uma questão de organização teológica. Ela muda a maneira como compreendemos nossa própria vida. Também muda a maneira como enxergamos o casamento, os processos de transformação, as dificuldades e a esperança de restauração.
A ESCATOLOGIA QUE COMEÇA ANTES DO FIM
A palavra “escatologia” está relacionada às últimas coisas, ao cumprimento final do propósito de Deus e à consumação da história. Durante muito tempo, diferentes interpretações procuraram localizar o Reino predominantemente em uma dessas dimensões. Algumas concentraram a esperança no futuro; outras enfatizaram a experiência presente; outras chegaram a considerar que as promessas do Reino já haviam sido plenamente realizadas.
A contribuição apresentada na aula anterior aponta para a necessidade de manter juntas essas duas dimensões. George Eldon Ladd desenvolve a compreensão da escatologia inaugurada justamente para preservar a presença real do Reino no presente e, ao mesmo tempo, sua consumação futura.
Isso significa que aquilo que Deus prometeu para o futuro começou a ser experimentado antecipadamente no presente. A ressurreição de Cristo é o grande sinal dessa realidade. Ela pertence à vitória definitiva de Deus sobre a morte, mas já aconteceu dentro da história. O Espírito Santo é outro sinal dessa antecipação, pois sua presença na Igreja representa a atuação presente de uma realidade que encontrará sua plenitude na consumação.
O cristão, portanto, vive entre dois tempos. Ele pertence à nova realidade inaugurada por Cristo, mas ainda vive em um mundo no qual o pecado, a morte, a injustiça e o sofrimento permanecem presentes.
Essa aparente contradição não é uma falha da fé cristã. É parte da própria estrutura da esperança bíblica.
O FUTURO COMEÇOU EM CRISTO
Quando Jesus anunciou o Reino, Ele não estava simplesmente dizendo que Deus governaria algum dia. Sua presença demonstrava que o governo de Deus já estava atuando.
Isso pode ser percebido em sua autoridade sobre enfermidades, demônios, pecado e morte. Os sinais realizados por Jesus não eram apenas demonstrações de poder destinadas a impressionar as pessoas. Eles apontavam para uma realidade maior: aquilo que seria plenamente estabelecido no futuro já estava começando a acontecer.
Quando Jesus liberta uma pessoa, existe ali um sinal da libertação que será plenamente experimentada quando o Reino for consumado. Quando Ele restaura, existe ali uma antecipação da restauração final. Quando Ele vence a morte por meio da ressurreição, manifesta-se de maneira decisiva aquilo que será plenamente estabelecido quando a morte for definitivamente derrotada.
O futuro de Deus começa a aparecer no presente.
Essa compreensão nos ajuda a enxergar os pequenos processos de transformação sem transformá-los em uma falsa promessa de perfeição imediata.
O REINO NÃO ELIMINA IMEDIATAMENTE TODA A REALIDADE DO PECADO
Uma das dificuldades para compreender o “já e ainda não” está no fato de que, se Cristo realmente inaugurou o Reino, ainda encontramos tanta desordem no mundo.
Ainda existem guerras, injustiças, doenças, violência, famílias feridas e relacionamentos destruídos. Ainda existem pessoas que resistem a Deus. Ainda enfrentamos tentações, conflitos e limitações. A presença do Reino não significa que tudo aquilo que pertence à antiga realidade desapareceu imediatamente.
Essa é uma das razões pelas quais não podemos confundir inauguração com consumação.
Cristo inaugurou uma nova realidade, mas ainda aguardamos o momento em que essa realidade será plenamente manifestada.
Essa verdade também nos impede de estabelecer uma expectativa irreal sobre o casamento cristão. O fato de uma mulher pertencer a Cristo não significa que seu casamento estará livre de conflitos. O fato de uma família buscar a Deus não significa que todos os seus problemas desaparecerão. O fato de alguém estar vivendo um processo de transformação não significa que nunca mais cometerá erros.
O Reino já chegou, mas ainda aguardamos sua plenitude.
O CASAMENTO TAMBÉM ESTÁ EM PROCESSO DE REDENÇÃO
Quando trazemos essa compreensão para o casamento, precisamos abandonar uma ideia perigosa: a de que uma família cristã deveria apresentar imediatamente todos os sinais de perfeição.
O casamento é formado por duas pessoas que ainda estão em processo de santificação. Cada uma traz sua história, seus aprendizados, suas feridas, seus mecanismos de defesa e suas limitações. Quando essas duas histórias se encontram dentro de uma aliança, existe potencial para crescimento, mas também existem conflitos que precisarão ser tratados.
Isso não diminui o poder de Deus. Pelo contrário, mostra que a obra de Deus frequentemente acontece dentro de processos.
Uma mulher pode já ter aprendido a pedir perdão, mas ainda precisar amadurecer na maneira como reage quando é contrariada. Um marido pode já ter começado a assumir responsabilidades que antes negligenciava, mas ainda possuir áreas que precisam ser transformadas. Um casal pode ter experimentado uma restauração significativa e ainda precisar reconstruir confiança.
A presença de áreas não resolvidas não significa necessariamente que Deus não esteja agindo.
Precisamos aprender a reconhecer o que já começou sem exigir que tudo esteja concluído.
A ESPOSA PRECISA APRENDER A RECONHECER PROCESSOS
Essa compreensão também protege a esposa de dois erros opostos.
O primeiro é o desânimo diante daquilo que ainda não mudou. Quando olhamos apenas para o que falta, podemos concluir que nada aconteceu. Isso pode fazer com que desprezemos avanços reais porque ainda existem problemas.
O segundo erro é declarar como concluído aquilo que ainda está em processo. Podemos interpretar uma pequena mudança como se toda a transformação já estivesse completa e, depois, ficar profundamente frustradas quando antigos comportamentos reaparecem.
A maturidade está em reconhecer o processo.
Se houve avanço, reconheça o avanço.
Se existe uma área que ainda precisa ser trabalhada, reconheça também.
Se houve uma queda, não transforme automaticamente a queda em prova de que tudo foi perdido.
Se uma mudança ainda não aconteceu, não invente uma realidade para proteger sua esperança.
A esperança cristã consegue olhar para a realidade com honestidade porque sua confiança não está fundamentada na negação dos problemas, mas no caráter de Deus.
QUANDO CONFUNDIMOS FÉ COM A NECESSIDADE DE VER RESULTADOS
Existe uma pressão espiritual que pode atingir especialmente mulheres que estão lutando pela restauração de seus casamentos. Algumas começam acreditando que precisam manter uma fé suficientemente forte para produzir o resultado desejado. Quando a resposta demora, passam a questionar sua própria fé.
“Será que não estou orando o suficiente?”
“Será que Deus não está ouvindo?”
“Será que estou fazendo alguma coisa errada?”
Essas perguntas podem surgir naturalmente, mas precisam ser tratadas com cuidado.
A fé não é uma técnica para controlar Deus.
A oração não é uma ferramenta para obrigar outra pessoa a mudar.
A confiança não significa que Deus necessariamente fará aquilo que imaginamos, no tempo que determinamos.
A escatologia inaugurada nos ensina algo precioso: vivemos pela antecipação daquilo que ainda não vemos plenamente. A esperança cristã não depende de possuir agora toda a realidade que esperamos.
Por isso, podemos continuar crendo mesmo quando ainda não vemos a consumação.
O PERIGO DE UMA RESTAURAÇÃO IMAGINÁRIA
Existe uma diferença entre esperança e negação.
A esperança reconhece o problema e acredita que Deus continua sendo Deus no meio dele. A negação olha para o problema e finge que ele não existe.
Essa distinção é extremamente importante para as mulheres que enfrentam dificuldades conjugais.
Uma esposa pode acreditar na restauração e, ao mesmo tempo, reconhecer que seu casamento está ferido. Pode orar pela transformação e também procurar aconselhamento. Pode esperar uma mudança e estabelecer limites. Pode confiar em Deus e buscar proteção quando existe violência.
A fé não exige que ignoremos fatos.
Quando o Reino de Deus entra na história, ele não produz cegueira diante da realidade. Ele produz uma nova maneira de enfrentá-la.
Por isso, dizer “eu creio que Deus pode restaurar” não significa dizer “não preciso fazer nada diante do que está acontecendo”. Também não significa afirmar que toda situação terá necessariamente o desfecho que imaginamos.
Nossa esperança precisa estar em Deus, e não na nossa capacidade de prever o final.
A PRESENÇA DO REINO PRODUZ TRANSFORMAÇÃO
Se o Reino já está presente, alguma coisa precisa acontecer no presente.
Não podemos utilizar o “ainda não” para justificar uma vida que permanece deliberadamente nos mesmos padrões. A esperança futura não elimina a responsabilidade presente.
Se Cristo governa, nossas atitudes precisam começar a refletir esse governo.
Isso alcança o modo como falamos com nosso marido, como tratamos os filhos, como lidamos com dinheiro, como enfrentamos conflitos, como reagimos às frustrações e como nos relacionamos com outras pessoas.
Não se trata de perfeição instantânea. Trata-se de direção.
Uma pessoa que está sendo formada pelo Reino pode ainda tropeçar, mas não pode transformar o tropeço em um estilo permanente de vida sem permitir que Deus a confronte.
A transformação cristã é progressiva. O fato de ainda não termos chegado ao fim não significa que não estejamos caminhando.
O ESPÍRITO SANTO COMO SINAL DO FUTURO
A compreensão do Reino também está diretamente relacionada à presença do Espírito Santo. O Espírito representa a atuação presente de Deus e antecipa a realidade futura que será plenamente manifestada.
Essa dimensão é importante para nossa caminhada porque significa que não estamos esperando sozinhas.
O Reino futuro não é apenas uma promessa distante. Existe uma antecipação dele na experiência presente da Igreja. O Espírito Santo atua, transforma, consola, convence, capacita e conduz o povo de Deus.
Por isso, a transformação de uma mulher não depende apenas de força de vontade. Existe uma ação divina acontecendo dentro dela.
Isso não elimina sua responsabilidade. O Espírito Santo não substitui nossa obediência. Ele nos capacita a responder àquilo que Deus está realizando.
No casamento, isso significa que podemos pedir ao Espírito Santo não apenas que transforme nosso marido, mas que nos mostre o que precisa ser transformado em nós.
QUANDO DEUS COMEÇA A MUDAR A MULHER ANTES DE MUDAR A SITUAÇÃO
Às vezes, esperamos que Deus mude primeiro as circunstâncias para depois conseguirmos mudar nossas atitudes.
Mas Deus pode trabalhar na pessoa antes de mudar a situação.
Uma mulher pode estar em um casamento difícil e, nesse processo, aprender a controlar menos, ouvir mais, estabelecer limites com mais sabedoria, abandonar a necessidade de vencer todas as discussões e desenvolver uma confiança mais profunda em Deus.
Isso não significa que a situação difícil seja boa ou que deva permanecer indefinidamente. Significa que Deus pode produzir fruto mesmo em meio a circunstâncias que ainda não foram resolvidas.
Essa é uma das dimensões mais profundas do “já e ainda não”. Ainda não vemos tudo restaurado, mas já podemos experimentar sinais da obra de Deus.
Ainda não vemos a plenitude, mas já podemos viver os primeiros frutos dela.
O REINO E A RESTAURAÇÃO DO QUE FOI QUEBRADO
A aula anterior mostrou que a soberania de Deus não é apenas uma ideia abstrata, mas encontra expressão concreta na história. O Reino representa essa soberania em ação.
Quando aplicamos isso ao casamento, precisamos compreender que restauração não significa simplesmente voltar ao que existia antes da crise.
Em muitos casos, Deus não nos conduz de volta ao passado. Ele nos conduz a uma realidade diferente daquela que conhecíamos.
Um casamento restaurado pode precisar de novas formas de comunicação, novos limites, novas responsabilidades e uma nova compreensão da aliança. Uma família que passou por uma crise pode precisar reconstruir confiança lentamente.
A restauração bíblica não precisa ser uma simples reconstrução daquilo que existia. Pode envolver transformação.
Isso também explica por que processos de restauração podem ser demorados. Não estamos apenas tentando apagar acontecimentos. Estamos permitindo que novas estruturas sejam construídas.
A ESPERANÇA NÃO NOS TORNA PASSIVAS
Compreender que ainda esperamos a consumação não significa cruzar os braços.
Enquanto aguardamos, somos chamadas a viver.
Essa é uma das implicações mais importantes da escatologia inaugurada. O futuro de Deus não nos tira do presente; ele transforma a maneira como vivemos o presente.
A mulher que espera a restauração não precisa deixar de cuidar de si, amadurecer, buscar conhecimento, procurar aconselhamento, estabelecer limites ou desenvolver uma vida espiritual saudável.
A mulher que espera uma mudança no marido não precisa transformar sua existência inteira em uma tentativa de provocar essa mudança.
A mulher que espera uma resposta de Deus pode continuar sendo fiel nas responsabilidades que recebeu.
Esperar não é desistir da vida.
Esperar é viver o presente orientada por aquilo que Deus prometeu.
QUANDO O FUTURO DEFINE O PRESENTE
Uma das maiores forças da esperança cristã está justamente nisso: aquilo que esperamos determina como vivemos agora.
Se acreditamos que Cristo é Rei, vivemos hoje debaixo de seu governo.
Se acreditamos que haverá restauração, não precisamos construir nossa identidade definitiva sobre uma fase de destruição.
Se acreditamos que Deus conduzirá a história à sua consumação, podemos permanecer fiéis mesmo quando o presente parece contradizer aquilo que esperamos.
O futuro de Deus passa a moldar nossas decisões presentes.
Isso é muito diferente de viver esperando que algum dia tudo fique bem. A esperança cristã não é uma fuga para o futuro. Ela traz o futuro de Deus para dentro da maneira como vivemos hoje.
UMA MULHER QUE APRENDE A VIVER ENTRE OS DOIS TEMPOS
A mulher cristã vive entre aquilo que Cristo já realizou e aquilo que ainda esperamos.
Ela já foi alcançada pela graça, mas ainda está sendo santificada.
Ela já pertence ao Reino, mas ainda vive em um mundo marcado pelo pecado.
Ela já experimenta a presença do Espírito Santo, mas ainda aguarda a plenitude.
Ela já pode experimentar restauração, mas ainda enfrenta áreas quebradas.
Ela já pode viver segundo os valores do Reino, mas ainda aguarda o dia em que toda a realidade será plenamente submetida ao governo de Deus.
Essa posição exige equilíbrio.
Não podemos viver como se nada tivesse mudado.
Também não podemos viver como se tudo já estivesse terminado.
É nesse espaço entre o início e a consumação que nossa fé amadurece.
CONCLUSÃO
A compreensão do “já e ainda não” nos oferece uma das chaves mais importantes para interpretar a vida cristã. O Reino de Deus foi inaugurado em Cristo, mas ainda aguardamos sua consumação. A contribuição de George Eldon Ladd, apresentada na aula anterior como desenvolvimento daquilo que foi preparado por contribuições teológicas anteriores, ajuda a manter essas duas dimensões juntas.
Essa verdade também nos ajuda a compreender o casamento. Deus pode estar trabalhando sem que tudo esteja resolvido. Podemos experimentar sinais de restauração enquanto ainda existem feridas. Podemos perceber mudanças sem que a transformação esteja completa. Podemos viver uma nova realidade em Cristo enquanto ainda enfrentamos aspectos da antiga realidade.
Por isso, não devemos desprezar os pequenos sinais da graça, mas também não devemos chamar de consumado aquilo que ainda está em processo.
A mulher madura espiritualmente aprende a reconhecer as duas coisas. Ela consegue agradecer pelo que Deus já fez e continuar esperando pelo que ainda falta. Consegue assumir sua responsabilidade sem tentar controlar o outro. Consegue enfrentar a realidade sem abandonar a esperança. Consegue reconhecer uma crise sem transformar a crise em sua identidade.
O Reino já chegou. O futuro de Deus já começou a entrar na história. Cristo já venceu e já reina. Entretanto, ainda aguardamos a manifestação plena dessa vitória.
Enquanto esperamos, nossa tarefa não é criar artificialmente a consumação. É viver fielmente à realidade que já foi inaugurada.
No casamento, isso significa permitir que o futuro de Deus determine nossa maneira de viver hoje. Significa amar hoje, perdoar hoje, estabelecer limites hoje, buscar sabedoria hoje, pedir ajuda quando necessário, abandonar padrões destrutivos hoje e submeter nossas decisões ao Rei hoje.
Não precisamos esperar que tudo esteja perfeito para começar a viver debaixo do governo de Cristo.
A plenitude ainda virá.
Mas a transformação já pode começar.
PARA REFLETIR
Ao olhar para seu casamento, identifique aquilo que você reconhece como uma obra que Deus já começou e aquilo que ainda permanece em processo. Procure não desvalorizar os avanços apenas porque ainda existem dificuldades.
Reflita também sobre sua maneira de esperar. Você tem conseguido permanecer responsável enquanto entrega a Deus aquilo que não pode controlar ou sua espera tem se transformado em ansiedade, cobrança e tentativa de manipular resultados?
Considere ainda se existe alguma situação que você está tentando espiritualizar para não precisar encarar a realidade. Fé não significa negar problemas. Pergunte ao Senhor se existe alguma atitude prática que precisa ser tomada enquanto você continua confiando nele.
Por fim, pense em como a esperança futura está influenciando suas decisões presentes. Se você realmente acredita que Cristo é Rei, o que essa verdade precisa produzir hoje na maneira como você vive seu casamento?
DEVOCIONAL — CINCO DIAS
DIA 1 — O QUE DEUS JÁ COMEÇOU
“Aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus.”
(Filipenses 1:6 — NAA)
Talvez você esteja olhando para seu casamento e enxergando principalmente aquilo que ainda precisa mudar. Quando fazemos isso durante muito tempo, podemos deixar de perceber os sinais daquilo que Deus já começou.
A obra de Deus nem sempre acontece de maneira espetacular. Algumas vezes, ela aparece em uma mudança de atitude, em uma conversa que antes seria impossível, em uma disposição maior para perdoar ou na capacidade de reagir de maneira diferente diante de uma antiga provocação.
O processo ainda não terminou, mas isso não significa que nada esteja acontecendo. Deus pode estar trabalhando silenciosamente enquanto você espera.
O que Deus já começou a transformar em você que merece ser reconhecido hoje?
DIA 2 — A ESPERANÇA QUE AINDA NÃO VEMOS
“Esperança que se vê não é esperança. Pois quem espera o que está vendo?”
(Romanos 8:24 — NAA)
Esperar é difícil porque queremos evidências. Gostaríamos de enxergar antecipadamente aquilo que Deus fará para então conseguirmos descansar. Entretanto, a esperança cristã trabalha justamente com aquilo que ainda não vemos.
Isso não significa acreditar em qualquer resultado que desejamos. Significa confiar em Deus mesmo quando não conseguimos visualizar todo o caminho.
Talvez você esteja esperando uma mudança no casamento, uma restauração ou uma resposta que ainda não chegou. Não transforme a demora em prova de abandono. Continue fazendo aquilo que Deus colocou em suas mãos e entregue a Ele aquilo que está além do seu alcance.
O que você precisa continuar esperando em Deus sem tentar controlar o resultado?
DIA 3 — O REINO NO MEIO DO PROCESSO
“O Reino de Deus não vem com aparência visível. Nem dirão: ‘Eis aqui!’ ou: ‘Lá está!’ Porque o Reino de Deus está no meio de vocês.”
(Lucas 17:20-21 — NAA)
O Reino de Deus não depende de uma aparência perfeita para estar presente. Ele pode estar atuando enquanto ainda existem processos inacabados.
Isso também acontece em nossa vida. Você pode estar enfrentando dificuldades e, ainda assim, experimentar a presença de Deus. Pode existir uma área quebrada e, ao mesmo tempo, existir transformação acontecendo.
Não espere que todos os problemas desapareçam para reconhecer a ação de Deus. Observe também aquilo que está sendo construído em meio ao processo.
Onde você percebe a presença de Deus mesmo em uma situação que ainda não está resolvida?
DIA 4 — FAZER O QUE ME CABE
“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando.”
(Tiago 4:17 — NAA)
Esperar em Deus não significa deixar de fazer aquilo que está sob nossa responsabilidade. Algumas situações exigem uma conversa, um pedido de perdão, uma mudança de comportamento, um limite ou a busca de ajuda.
Existe uma parte do processo que não podemos controlar, mas existe também uma parte que não podemos transferir para Deus. A maturidade está em discernir essa diferença.
Talvez você esteja esperando que alguma coisa mude enquanto Deus está chamando sua atenção para uma atitude que precisa ser tomada agora.
Qual responsabilidade você precisa assumir sem tentar controlar aquilo que pertence a Deus?
DIA 5 — VIVENDO O FUTURO HOJE
“Assim também nós, embora sendo muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.”
(Romanos 12:5 — NAA)
O futuro de Deus já começou a entrar no presente por meio de Cristo. Isso significa que não precisamos esperar a consumação de todas as coisas para começar a viver segundo os valores do Reino.
Podemos praticar hoje aquilo que esperamos ver plenamente amanhã. Podemos construir relacionamentos marcados pela verdade, pela graça, pelo perdão, pela honra e pela responsabilidade. Podemos permitir que Cristo governe nossa casa mesmo enquanto ainda existem processos que precisam ser concluídos.
O “ainda não” não nos impede de viver o “já”. Pelo contrário, aquilo que esperamos deve orientar a maneira como vivemos agora.
Que atitude do Reino você precisa começar a praticar hoje dentro do seu casamento?
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