Mateus 8–10: A Autoridade do Rei

Nos capítulos 5 a 7 de Mateus, Jesus ensinou como alguém que possui autoridade. Seus ouvintes ficaram admirados porque ele não falava como os mestres da Lei.

Agora, porém, Mateus muda o cenário.

Jesus desce do monte.

E aquilo que ele ensinou começa a ganhar forma diante dos olhos das pessoas.

O Rei que falou sobre o Reino agora demonstra a autoridade desse Reino.

Doenças são confrontadas. Demônios são expulsos. Uma tempestade é silenciada. Pecados são perdoados. Pessoas marginalizadas são restauradas. E, finalmente, os próprios discípulos recebem autoridade e são enviados.

Mateus 8–10 nos apresenta uma verdade que não pode ser ignorada:

Jesus não é apenas um mestre a ser admirado. Ele é o Rei diante de quem poderes, enfermidades, natureza e seres humanos precisam responder.

O leproso que se aproxima

Mateus 8 começa com uma cena que, para os leitores do primeiro século, carregava enorme significado.

Um homem com lepra se aproxima de Jesus.

“Senhor, se o senhor quiser, pode me purificar.” (Mateus 8:2, NAA)

Observe a maneira como ele se dirige a Jesus.

Ele não questiona a capacidade de Jesus.

A dúvida está na vontade.

“Se o senhor quiser.”

O homem acredita que Jesus pode fazer aquilo que ninguém mais consegue.

E Jesus responde:

“Quero, fique limpo!” (Mateus 8:3, NAA)

Então o homem é purificado.

Há algo profundamente significativo nessa cena.

Aquele que era considerado impuro aproxima-se daquele que é santo.

E, em vez de a impureza contaminar Jesus, a santidade de Jesus transforma o impuro.

O movimento é extraordinário.

Jesus não se afasta daquele que todos evitavam.

Ele toca.

Ele restaura.

Ele reintegra.

O Reino começa a alcançar lugares onde a sociedade havia colocado barreiras.

A fé de um centurião

Logo depois, Mateus apresenta outro personagem surpreendente: um centurião romano.

Ele procura Jesus por causa de seu servo, que está doente.

Jesus se dispõe a ir até sua casa.

Mas o centurião responde:

“Senhor, não sou digno de que entre em minha casa. Mas apenas mande uma palavra, e o meu servo será curado.” (Mateus 8:8, NAA)

A confiança daquele homem impressiona Jesus.

Ele compreendeu algo sobre autoridade.

Um soldado sabia que uma ordem não precisava ser acompanhada fisicamente pelo comandante para ser cumprida.

Se uma autoridade legítima ordenasse algo, seus subordinados obedeceriam.

O centurião percebe que Jesus possui uma autoridade muito maior.

Uma palavra é suficiente.

Jesus então declara:

“Nem mesmo em Israel encontrei fé como esta.” (Mateus 8:10, NAA)

Mateus está começando a mostrar que o Reino não pode ser reduzido a uma questão de etnia, tradição ou posição social.

A fé reconhece a autoridade de Jesus.

E essa fé pode aparecer onde menos esperamos.

Jesus entra na casa de Pedro

Depois, Jesus chega à casa de Pedro e encontra sua sogra doente.

Ele toca na mão dela, e a febre a deixa.

Ela se levanta e passa a servi-los.

Mais tarde, ao anoitecer, muitas pessoas são levadas até Jesus.

Mateus descreve o movimento de uma multidão que procura aquele que cura.

Mas há algo ainda mais importante acontecendo.

Jesus não está apenas realizando milagres isolados.

Mateus relaciona seus atos às Escrituras e apresenta Jesus como aquele que cumpre a esperança profética.

Os sinais não existem simplesmente para produzir admiração.

Eles apontam para quem Jesus é.

Seguir Jesus tem um preço

Depois de tantos milagres, alguém se aproxima e diz:

“Mestre, vou segui-lo para onde quer que o senhor for.” (Mateus 8:19, NAA)

Seria uma excelente oportunidade para Jesus falar sobre todas as vantagens de segui-lo.

Mas ele faz exatamente o contrário.

Jesus responde falando sobre a ausência de conforto e segurança.

“As raposas têm as suas tocas e as aves do céu têm os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Mateus 8:20, NAA)

Isso é desconcertante.

Jesus não vende uma versão confortável do discipulado.

Ele não esconde o custo.

Segui-lo significa colocar o Reino acima da própria segurança.

O Evangelho oferece graça abundante, mas nunca promete uma vida sem renúncia.

Uma tempestade no mar

Então acontece algo extraordinário.

Jesus entra no barco com os discípulos e uma grande tempestade surge.

As ondas cobrem o barco.

Os discípulos entram em pânico.

Jesus, porém, está dormindo.

Eles o acordam:

“Senhor, salve-nos! Estamos perecendo!” (Mateus 8:25, NAA)

Jesus se levanta e repreende os ventos e o mar.

E tudo se acalma.

Os discípulos ficam admirados:

“Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mateus 8:27, NAA)

Essa pergunta é uma das chaves desses capítulos.

Quem é este?

A resposta vai sendo construída diante dos nossos olhos.

Ele tem autoridade sobre doenças.

Autoridade sobre demônios.

Autoridade sobre a natureza.

E Mateus ainda vai apresentar muito mais.

A autoridade sobre os demônios

Ao chegar à região dos gadarenos, Jesus encontra homens dominados por demônios.

A situação é assustadora.

Os demônios reconhecem quem Jesus é.

Isso é importante.

Eles sabem mais sobre a identidade de Jesus do que muitos seres humanos que o cercam.

Mas reconhecer quem Jesus é não significa amá-lo ou obedecê-lo voluntariamente.

Jesus expulsa os demônios.

Novamente, Mateus mostra que o Reino de Deus invade territórios onde a destruição havia dominado.

O poder espiritual que escraviza pessoas não é apresentado como equivalente ao poder de Cristo.

Jesus possui autoridade superior.

O paralítico e uma questão ainda maior

Em Mateus 9, algumas pessoas levam até Jesus um paralítico.

Jesus poderia simplesmente curá-lo.

Mas primeiro diz:

“Coragem, filho; os seus pecados estão perdoados.” (Mateus 9:2, NAA)

Os escribas ficam indignados.

A pergunta deles é compreensível dentro da teologia judaica: quem pode perdoar pecados senão Deus?

E essa é precisamente a questão.

Jesus então cura o homem para demonstrar que o Filho do Homem tem autoridade para perdoar pecados.

A cura visível aponta para uma realidade invisível.

Mais uma vez, Mateus quer que o leitor faça a pergunta:

Quem é Jesus?

Quanto mais observamos suas ações, mais difícil se torna tratá-lo simplesmente como um professor religioso.

Jesus chama Mateus

Logo depois, Jesus encontra Mateus sentado na coletoria de impostos.

Ele simplesmente diz:

“Siga-me!” (Mateus 9:9, NAA)

E Mateus se levanta e segue Jesus.

Existe algo belo na simplicidade dessa cena.

Mateus estava trabalhando.

Jesus o chama.

E sua vida muda de direção.

Não sabemos todos os detalhes da transformação interior daquele homem naquele instante. Mas sabemos o essencial:

ele respondeu ao chamado.

O mesmo Jesus que cura pessoas também chama pessoas.

O Reino não é apenas algo que recebemos.

É uma realidade à qual somos convocados a pertencer.

“Não são os que têm saúde que precisam de médico”

Mateus registra Jesus comendo com publicanos e pecadores.

Isso provoca críticas.

Por que ele se aproxima dessas pessoas?

A resposta de Jesus é memorável:

“Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.” (Mateus 9:12, NAA)

Jesus não está afirmando que algumas pessoas não possuem pecado.

Está mostrando que aqueles que reconhecem sua necessidade estão em posição de receber a graça.

O problema mais profundo não é estar doente.

É acreditar que não precisamos de médico.

A consciência da necessidade pode ser o início da restauração.

Uma colheita enorme

Mateus 9 termina com Jesus olhando para as multidões.

Ele vê pessoas cansadas e abandonadas como ovelhas sem pastor.

Então diz aos discípulos:

“A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.” (Mateus 9:37, NAA)

O coração de Jesus se move diante da necessidade humana.

Mas ele não termina simplesmente com uma observação.

Ele chama seus discípulos para participar da missão.

A compaixão de Cristo se transforma em convocação.

O Reino precisa ser anunciado.

O capítulo 10 muda tudo

Até aqui, observamos Jesus agindo.

Agora ele começa a enviar seus discípulos para agir em seu nome.

Mateus 10 apresenta o chamado e o envio dos doze.

Eles recebem autoridade sobre espíritos impuros e sobre enfermidades.

Isso não significa que os discípulos possuam poder independente.

Sua autoridade é recebida.

Eles não são a fonte.

São enviados pelo Rei.

Essa distinção continua fundamental para qualquer ministério cristão.

Quem serve em nome de Cristo não pode transformar a missão em propriedade pessoal.

A autoridade pertence ao Rei.

O discípulo é apenas um enviado.

A missão exige dependência

Jesus instrui os discípulos a não dependerem de grandes recursos materiais.

Eles deveriam confiar na provisão de Deus.

Isso não significa que planejamento, recursos ou organização sejam errados.

O princípio é outro:

a missão não pode depender exclusivamente dos recursos humanos.

Quem é enviado precisa aprender a depender daquele que envia.

Há uma diferença entre utilizar recursos e confiar neles.

Jesus prepara os discípulos para a oposição

Talvez uma das partes mais importantes de Mateus 10 seja o fato de Jesus não esconder dos discípulos aquilo que os espera.

Ele fala sobre rejeição.

Fala sobre perseguição.

Fala sobre dificuldades.

E diz:

“E vocês serão odiados por todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mateus 10:22, NAA)

Observe novamente:

Jesus não promete que seguir o Reino eliminará o sofrimento.

Ele prepara seus discípulos para permanecerem fiéis dentro dele.

Isso é diferente de uma fé construída sobre expectativas de conforto permanente.

A fé bíblica possui uma dimensão de perseverança.

O discípulo precisa saber não apenas como começar.

Precisa aprender a permanecer.

“Não tenham medo”

Três vezes, aproximadamente ao longo desse discurso, Jesus encoraja os discípulos a não terem medo.

Eles enfrentariam oposição, mas não estavam abandonados.

Jesus os lembra de que Deus conhece até os detalhes mais pequenos da criação.

Se Deus cuida dos pardais e conhece o número dos cabelos da cabeça, quanto mais cuidará daqueles que pertencem a ele.

A coragem cristã não nasce da ausência de perigo.

Nasce da confiança na presença de Deus.

Uma decisão inevitável

Jesus então apresenta uma realidade difícil:

“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10:37, NAA)

Essa declaração não diminui o valor da família.

Pelo contrário.

A própria Bíblia apresenta a família como uma instituição profundamente significativa.

Jesus está estabelecendo uma ordem de prioridades.

Nem mesmo os vínculos mais preciosos podem ocupar o lugar que pertence ao Rei.

Seguir Cristo significa reconhecer que existe uma lealdade superior.

E essa lealdade reorganiza todas as outras.

Tomar a cruz

Jesus conclui essa parte dizendo:

“E quem não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.” (Mateus 10:38, NAA)

Para nós, a cruz pode ter se tornado um símbolo religioso.

Para os primeiros ouvintes de Jesus, porém, a imagem carregava o peso da execução romana.

A linguagem era forte.

Jesus estava dizendo que o discipulado envolve morte para o próprio domínio.

A cruz representa renúncia.

Representa submissão.

Representa a disposição de perder para permanecer fiel.

E Jesus acrescenta:

“Quem acha a sua vida perdê-la-á; e quem perde a sua vida por minha causa achá-la-á.” (Mateus 10:39, NAA)

O Reino apresenta uma lógica diferente da lógica do ego.

Aquilo que tentamos preservar a qualquer custo pode acabar nos dominando.

Aquilo que entregamos a Cristo pode ser verdadeiramente redimido.

O Rei demonstra autoridade e compartilha missão

Mateus 8–10 forma uma unidade impressionante.

Primeiro vemos Jesus agindo.

Ele cura.

Ele liberta.

Ele perdoa.

Ele domina a natureza.

Ele chama.

Depois, vemos Jesus enviando.

Isso significa que os discípulos não são chamados simplesmente para contemplar o que Jesus faz.

Eles são chamados para participar da missão.

Mas existe uma ordem importante:

primeiro aprendem com o Rei; depois são enviados pelo Rei.

Essa ordem é fundamental.

Atividade sem intimidade pode produzir ativismo.

Conhecimento sem prática pode produzir esterilidade.

Mas contemplar Cristo, aprender com ele e então obedecer ao seu chamado produz discipulado.

A pergunta que permanece

No fim desses capítulos, a pergunta feita pelos discípulos durante a tempestade continua ecoando:

“Quem é este?”

É uma pergunta simples.

Mas Mateus está construindo uma resposta gigantesca.

Este é aquele que toca o impuro sem ser contaminado.

É aquele que cura à distância.

É aquele a quem o mar obedece.

É aquele diante de quem os demônios tremem.

É aquele que perdoa pecados.

É aquele que chama pecadores.

É aquele que envia discípulos.

É aquele que exige lealdade.

É aquele que chama homens e mulheres a tomar a cruz e segui-lo.

Jesus não pede apenas admiração.

Ele pede seguimento.

E talvez essa seja uma das grandes diferenças entre conhecer informações sobre Cristo e realmente tornar-se seu discípulo.

O admirador observa o Rei. O discípulo organiza a vida ao redor dele.

Mateus 8–10 nos deixa diante dessa decisão.

O Rei possui autoridade.

A questão é se estamos dispostos a reconhecê-la.

Para continuar a série

Nos próximos capítulos, Mateus nos levará ainda mais fundo. Em Mateus 11–13, veremos a crescente oposição a Jesus, suas respostas às dúvidas, os sinais do Reino e as parábolas que revelam — e ao mesmo tempo ocultam — verdades profundas sobre o governo de Deus.

O Rei já chegou.

Agora surge uma pergunta ainda mais desconcertante:

Por que alguns conseguem ver o Reino enquanto outros, mesmo diante de Jesus, permanecem cegos para ele?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mães de Joelho no Secreto

Posso fazer sexo quando estou de jejum?

Eu sou uma Esposa de Fé